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Vitimização e incompetência – por Carla Rojas Braga

Um dos problemas mais sérios do país é a ”cultura da vitimização“.

Ela às vezes exalta quem comete crimes, vive uma vida de desvios, mas que culpa sempre os outros. Essa narrativa está ganhando destaque em certos setores da mídia, que sem ou por querer, acaba incentivando a censura à liberdade de expressão.

Pessoas fracassadas e mal intencionadas costumam depositar a culpa dos seus erros nos outros. Essas pessoas se colocam como vítimas, como se não tivessem livre arbítrio, como se fossem subjugadas às forças ocultas. Ganham notoriedade com a “ lacração” ou jogando nos outros a culpa dos próprios erros.

Na verdade, jamais saíram da completa mediocridade.

É óbvio que tem gente que realmente enfrenta infortúnios terríveis. Mas mesmo nesses casos não há motivo para desistir de viver, de trabalhar ou de fazer esforço, como se o destino estivesse selado. Fazer esforço é uma atitude de pessoas corajosas, e não trouxas, como muitos brasileiros pensam.

Somente para dar um exemplo, Viktor Frankl, famoso humanista e neuropsiquiatra austríaco, autor de “ O sentido da Vida”, foi preso pelos nazistas em 4 campos de concentração, mas concluiu que “entre a agressão e a resposta, o homem tem a liberdade de escolha”. Ele decidiu reagir e conseguiu sobreviver. Recebeu 29 títulos de doutor honoris causa, inclusive pela Universidade de Brasília.

Não podemos escolher tudo o que acontece conosco, mas escolhemos como reagir às contingências do destino. E nosso fracasso deve ser sempre um aprendizado. Além disso, a cultura da vitimização cria um sistema de moralidade que não oferece incentivo para o bom comportamento.

Os países que adotam a cultura da vitimização estão fadados à miséria eterna.

Econômica e moral.

As culturas que acreditam na honra incentivam a bravura como principal virtude. Mas se a pessoa quiser ter notoriedade em uma cultura de vitimização, o que ela faz? Não pode simplesmente se transformar numa vítima num passe de mágica. Ou, na verdade, pode – pode se mostrar fraca e necessitada de ajuda, pode relatar o comportamento dos outros em relação a ela como prejudicial e opressivo, frente a qualquer micro agressão e pode até mentir sobre ser vítima de violência e outras ofensas, buscando na Justiça uma retratação, sobrecarregando o sistema judiciário brasileiro.

A presença nos tribunais e na imprensa confere ainda mais veracidade às falsas ofensas sofridas e joga essa pessoa normalmente medíocre nos holofotes da mídia.

A cultura da vitimização incentiva o mau comportamento. Incentiva a ação de pessoas incompetentes, invejosas e mal intencionadas a adquirirem um status e uma notoriedade que não teriam se dependessem de suas parcas qualidades.

Coragem, brava gente brasileira!

(Carla Rojas Braga é psicóloga e psicoterapeuta )

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