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Uma proposta alternativa ao Sistema de Bandeiras – por Sebastião Ventura

A polêmica sobre o retorno das aulas marca um ponto de saturação do chamado “Sistema de Bandeiras”. Aqui, não estamos a julgar o passado, mas simplesmente, através do salutar exercício da razão pensante, propondo uma política pública aprimorada com vistas a ofertar melhores resultados à luz dos complexos desafios da vida contemporânea.

Sem cortinas, o Sistema de Bandeiras, ao se pautar preponderantemente pelo número de leitos hospitalares, acabou por gerar um critério reativo, na qual o alarme dispara quando o ladrão já está dentro da casa, promovendo danos irreversíveis à saúde pública. Por assim ser, precisamos mudar a abordagem, criando um método preventivo, capaz de proporcionar certa antevisão do comportamento patológico e, ato contínuo, possibilitar a calibragem ou focalização de medidas restritivas eventuais, evitando-se, ao máximo, fechamentos generalizados de alto impacto negativo.

Mas como fazer isso?

Ora, invés de negar o problema, precisamos impor uma pauta colaborativa, unindo o poder público e a iniciativa privada no enfrentamento da questão. Criado o ambiente integrador, é preciso inaugurar uma decidida política de testagem massiva em clusters estratégicos (shopping centers, escolas, supermercados, rodoviárias, etc) que gerarão dados reais sobre variáveis epidemiológicas correntes, possibilitando o imediato isolamento e rastreamento dos casos positivos.

No importante estudo Roadmap to Responsibly Reopen America, a inteligência superior do Professor Paul Romer é categórica ao afirmar que “a testagem em massa é opção mais viável para enfrentar a crise econômica e de saúde que encaramos atualmente”. Mesmo com índices crescentes de vacinação, precisamos estabelecer a testagem recorrente como um investimento público necessário, especialmente face o risco de mutações virais incontroláveis.

Por tudo, ao invés de divisões, precisamos da união dos brasileiros. O investimento sério na geração de dados quantitativos possibilitará o desenvolvimento qualitativo da ciência e, consequentemente, maior eficiência e assertividade das decisões governamentais. Se ninguém sabe quando o risco da COVID-19 se tornará desprezível, até lá – justamente por prezar vidas, a saúde dos negócios e o futuro de nossas crianças – precisamos de testagem massiva e inteligência crítica sobre os dados a serem consolidados.

Sebastião Ventura Pereira da Paixão Jr. é advogado e especialista em Direito Constitucional

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