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Uma nação entubada – por José Antonio Rosa

A Segunda Turma do STF, pelo voto da ministra Cármen Lúcia que alterou o anterior já proclamado, formou maioria para decretar a suspeição do ex-juiz federal Sérgio Moro no processo do vigarista do Lula.

Por que vigarista?

Porque ele é um vigarista, um corrupto que chefiou a maior organização criminosa que este país e as demais nações democráticas do mundo já conheceram.

Sobejam provas, delações, processos, condenações, prisões, dinheiro devolvido, triplex e sítios que revelam o tamanho do crime e do criminoso.

São mais de 49 países envolvidos na trama perversa, onde em algumas nações presidentes estão sendo processados, outros presos e outro ainda tirou a vida em virtude da vergonha que foi tomado diante de tamanha indignidade contra seu povo.

O ex-juiz federal Sérgio Moro foi declarado suspeito com base em diálogos que foram acessados criminosamente revelando que manteve conversas com os procuradores da Operação Lava Jato. Concluíram alguns ministros do STF que essas mensagens relevaram ações prejudiciais ao um réu que, esclareça-se, contratou os melhores escritórios de advocacia no Brasil e também no exterior.

De qualquer sorte, é importante destacar que as questões que estão em debates no STF são processuais e tratam as toneladas de provas que demonstram os crimes praticados contra o patrimônio e a dignidade dos brasileiros como aspectos meramente periféricos.

Essa é mais uma demonstração de quanto as nossas elites estão distantes da realidade, dos anseios e das necessidades dos brasileiros e visceralmente comprometidas com os interesses políticos, de corporações e do poder econômico.

Ocorre que essa alegada suspeição do ex-juiz Sérgio Moro destoa da verdade dos fatos e dos processos. Os fatos são notórios. Os crimes pelo volume de dinheiro envolvido, pela imoralidade praticada pelo presidente da República e sua organização criminosa humilhou e envergonhou os brasileiros e escandalizou o mundo.

Notadamente o establishment e algumas autoridades que estiveram muito próximas de serem alcançadas pela Operação Lava Jato estão partindo para o ataque visando destruir a imagem, a vida pessoal e profissional de juízes e procuradores que atuaram na Operação Lava Jato para que sirvam de exemplo a não ser seguido por quem tentar cumprir o seu dever funcional e aplicar a lei.

Diante de tamanha incoerência e imoralidade, questiona-se:

E como fica o ministro do STF que manteve conversas com um cidadão, que depois se tornou réu e foi condenado, prestando-lhe solidariedade e até mesmo um ensaio de advocacia administrativa quando se coloca à disposição do criminoso para conversar com um de seus pares sobre o processo?

E como fica esse mesmo ministro que trocou 46 mensagens com um político acusado da prática de inúmeros crimes e que somente não sendo processado com a devida celeridade que a moralidade pública exige, e até mesmo preso, porque escuda-se no vergonhoso foro privilegiado?

E como fica outro ministro que na reportagem de uma revista foi acusado de receber, em sua conta corrente, valores regulares feito por sua esposa e que até hoje encontram-se esses fatos gravíssimos sem a devida justificativa para a sociedade?

E como fica esse mesmo ministro, à época presidindo a Corte, que contou num evento na USP, como um grande feito, o furto de um processo promovido por um colega quando advogava culminando com a frustração do cumprimento de uma medida judicial?

E como fica a Corte quando um de seus integrantes, em entrevista a um jornal de grande circulação nacional, afirmou com todas as letras que no STF existem gabinetes que fazem fila para distribuir senha com o objetivo de liberar corruptos onde não há mais direito apenas uma ação entre amigos?

As respostas para esses questionamentos, e tantos outros da vida nacional, estão no que o Brasil se tornou. Um país institucionalmente abalado, com uma democracia fragilizada, empobrecido e um povo que não mais identifica com clareza os seus valores.

Somos uma nação entubada.

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