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Taxar o sucesso para investir no fracasso – por Tiago Albrecht

Porto Alegre viu-se estarrecida com a famigerada proposta do prefeito de Porto Alegre, Marchezan Júnior, de criar novos impostos e taxas para tapar o rombo do modal de transporte urbano através de ônibus coletivo. E conseguiu a proeza de, não obstante prefeito da capital, estender taxas e cobranças a moradores de outros municípios da região metropolitana que venham ganhar o seu pão na cidade do mais belo pôr-do-sol do país.

Para tanto, dentre outras insanidades, propõe criar taxa extra para os veículos de aplicativo e cobrar pedágio de quem vem de fora da cidade para trabalhar e empreender. A desculpa esfarrapada é a de que essa verba iria subsidiar o transporte coletivo de ônibus, fazendo com que a passagem baixe a dois reais, o menor preço dentre todas as capitais brasileiras.

O cidadão brasileiro não aguenta mais pagar impostos. Se for somar tudo o que paga, certamente mais da metade do seu salário vai para o Leviatã, o Estado, que abocanha a níveis nórdicos, mas presta serviços a níveis… de Brasil mesmo. Mas o mais grave ainda está a seguir.

Taxar um segmento de sucesso, que advém do avanço tecnológica, da livre iniciativa de milhares de motoristas, que incentivou milhares de pessoas a deixar seus carros na garagem e se locomover escolhendo livremente o aplicativo que melhor atende às suas necessidades.

O prefeito quer taxar o sucesso para privilegiar o fracasso.

O fracasso de um modal que – pasmem os senhores! – ainda detêm uma companhia pública de transporte, a CARRIS, uma verdadeira walking dead dentre as estatais distribuídas por toda a província de São Pedro. Os ônibus são precários, não há BRT como em outras capitais que os têm há quase 30 anos, os terminais estão sucateados e praticamente abandonados. Por óbvio que esse modal em nossa cidade é um passivo de décadas, não apenas da gestão atual. Porém, caberia a um prefeito eleito com a pecha de liberal, com perspectivas de disrupção na gestão pública, oferecer justamente isso à capital gaúcha: soluções disruptivas e sustentáveis para o futuro do ônibus em Porto Alegre.

Venda da CARRIS à iniciativa privada, parceria com empresas chinesas que fabricam ônibus elétricos, proximidade ao segundo maior polo metalmecânico do país – a linda Serra Gaúcha – que poderia ser provocado a propor soluções para esse modal, implementação de BRT, que até já teve verba, mas nunca foi instalado, etc., seriam soluções que realmente fariam com que Porto Alegre fosse notícia nacional de vanguarda no transporte público coletivo. E não o populismo de dizer que a passagem irá a dois reais ou será grátis ao trabalhador.

Não existe café grátis. Não existe passagem grátis.

Pensar em novas ideias, sim, é de graça!

(Tiago José Albrecht é teólogo luterano e radialista)

One Comment

  • Fernanda disse:

    Que vergonha! Tudo é um fiasco nas proposições do Prefeito, mas taxar os motoristas de aplicativo é para acabar. Como o autor do artigo escreveu, trata-se de populismo e ridículo como é próprio de governos de esquerda.

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