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Salvar reféns não é decisão para covardes – por Adriano Klafke, tenente-coronel

Agiu muito bem o BOPE PMERJ. Comemoram os policiais e o governador a preservação de todos os reféns.

Numa operação de gerenciamento de crise de tomada de reféns, o ideal, a rendição, com todos salvos, é o que se busca. Mas, por opção do criminoso tomador de reféns, existem inúmeras situações em que não é possível.

A iminência ou início de ação contra a integridade de reféns é a indicação para intervenção decisiva, inclusive com atirador de precisão. Claro que há análise e avaliação dos elementos disponíveis.

O derramamento de combustível junto aos reféns era indicativo da iminência de gravíssima ação de agressão. Bastaria um palito de fósforo e teríamos muitas vítimas com lesões significativas, provavelmente com mortes.

Assim, ainda que a negociação prossiga – e deve prosseguir – a integridade dos reféns deve ser priorizada. Deixar de agir e prosseguir em negociações até que o agressor faça vítimas fatais ou lesões graves é inaceitável.

Uma vez decidida a neutralização com o emprego de atirador, é questão deste, autorizado, buscar a janela de oportunidade: alvo visível, reféns fora da trajetória, etc. Claro que o risco residual sempre persiste, por melhor que seja o atirador, a técnica, o treinamento, o equipamento. Mas é uma escolha que deve ser feita para preservar o máximo possível dos reféns.

Não é uma decisão para covardes.

(Adriano Klafke é tenente-coronel da Brigada Militar do RS)

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