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Rebolada e liturgia – por Werner Pfluck

Eu nem iria comentar. Tem coisas que merecem apenas ser ignoradas. Já passou.

Mas o incômodo continua. Me senti ofendido, como muitos que estiveram ali, presentes, assistindo àquele mini show grotesco.

Não é problema ser gay ou ativista LGBT, ou militar por suas causas. Não é esse o ponto. Se fosse uma formanda, bonita, hétero, com o adjetivo que fosse, que estivesse ali remexendo a bunda para o público, não teria sido menos vergonhoso.

O ponto é a falta de sensibilidade, de respeito, de liturgia.

Uma colação de grau é um ato solene. Canta-se o Hino Nacional e, por aqui, o Riograndense também. As bandeiras estão lá. Doutores estão lá. Os formandos prestam um juramento. É um ato com validade jurídica. É numa Universidade.

Não é um boteco.

Todos os formandos daquela turma da UFRGS, inclusive o lacrador, estudaram de graça. Tiveram o privilégio, que bem poucos têm, de serem custeados por nossos impostos. Para nós não foi de graça. Um mínimo de respeito e gratidão seria bem-vindo.

Tinha muita gente lá. Pais, avós, tios, amigos e toda a sorte de pessoas que foram prestigiar uma solenidade e homenagear alguém. Gente de todo o tipo de formação, com todo tipo de valores e expectativas. E todos igualmente pagadores dos impostos que bancaram a formação daqueles estudantes. Quantos ali se sentiram insultados?

O episódio burlesco se torna ainda mais grosseiro em se tratando de uma formatura do curso de Relações Internacionais.

São formados para ingressar na carreira diplomática, onde liturgia, polidez e protocolo são a regra. Que tipo de diplomata o lacrador pretende ser? De que maneira pretenderia representar o Brasil perante outras nações?

Aí está o outro ponto.

A formação nas universidades públicas brasileiras. Aquela imagem é o retrato do que vem se tornando a balbúrdia dessas instituições. Cada vez mais, em vez de cientistas e produtores de inovação e conhecimento para a prosperidade da sociedade, estão formando militantes, ativistas e lacradores, que são aplaudidos por seus mestres nessas suas performances vexatórias. Resultado previsível de uma “Pátria Educadora” moldada pelo marxismo cultural do patrono Paulo Freire, exatamente como ensinou Antonio Gramsci.

Fico aqui imaginando universitários da Coreia do Sul, da Austrália, Inglaterra, China ou onde for, assistindo essa rebolada brasileira. É com eles que vamos competir no mercado global. Com diplomatas assim, sem chance.

Para tudo existem lugares adequados, e outros que não são. Momentos adequados e outros não. Que fizesse seu manifesto no salão de festas para seus convidados, na sala da sua casa para sua família, ou em qualquer ambiente onde não estivesse alguém que pudesse se sentir incomodado. Como qualquer pessoa sensata faria.

Mas lacradores não costumam ser exatamente sensatos. A lacração vem primeiro. Nada mais importa, como acontece com todo bom egoísta. Do mesmo tipo de gente que, nas mesmas formaturas da UFRGS, estende faixas de Lula Livre e grita “foi golpe”.

Um bacharel em Relações Internacionais, a caminho da carreira diplomática, deveria saber disso tudo.

Se não sabe, há um problema de formação. Se sabe, há um problema de caráter.

Nos dois casos, entretanto, precisamos conversar sobre a universidade pública brasileira.

(Werner Pfluck é jornalista e publicitário)

* as opiniões expressadas neste artigo são exclusivas do autor, não representando necessariamente a opinião do veículo e dos demais articulistas

One Comment

  • Carlos Miguel vendruscolo disse:

    Concordo plenamente com seus comentários. Estamos no fundo do poço e não vejo nada à frente para reverter isso.
    Nosso país, com toda sua riqueza, poderia ser uma potência inspiradora para o mundo.
    Ao invés, só mostramos lixo.
    Grande parte de tudo isso foi inspirado pelos vagabundos do PT, que com essas orgias enganam o povo ignorante.
    Triste Brasil…….

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