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Precisamos subsidiar o transporte público? – por Felipe Camozzato

Em tempos de prefeitura querendo taxar aplicativos de transporte, um serviço que funciona, para subsidiar o transporte público disfuncional, precisamos falar de alternativas viáveis para redução de custos e maior atração de passageiros para o transporte coletivo. Para quem não sabe, Porto Alegre regula pesadamente desde o tamanho dos ônibus até o valor final da tarifa.

Todo o sistema de transporte público é engessado.

O resultado? Somos a capital brasileira com a maior proporção de descontos e isenções, que oneram os passageiros pagantes no sistema e frutos de inúmeras regras de meia-passagem e gratuidades. Basicamente, de cada três passageiros, um anda de graça. Isso, obviamente, encarece sobremaneira a passagem para quem efetivamente paga a conta.

E não para por aí: Porto Alegre segue com a obrigatoriedade de cobradores de ônibus em horários onde sequer há demanda que justifique a sua presença. Imagine ter que pagar salário, contribuições sociais, adicionais noturnos e tudo mais para um trabalhador que irá passar horas sem atender mais do que uma dezena de clientes. Pior: em itinerários que adentram a madrugada da capital e que, muitas vezes, são até sobrepostos. Isso não é razoável, e também pressiona o custo da tarifa do transporte coletivo.

 Outro exemplo para reduzir custos é a indicação que o vereador suplente do NOVO, Fabrício Lunardi, fez meses atrás à Prefeitura. Dentro das limitações regulatórias existentes (e que não são poucas), Lunardi sugeriu aumentar o espaço dedicado a publicidades externas e internas nos ônibus, mudando as regras de publicidade no transporte. Hoje elas são engessadas e destinadas ao custeio de plano de saúde de trabalhadores, com possível ineficiência de uso dos espaços – que poderiam ter maior retorno financeiro. Seria esse seu melhor proveito?

Outro ponto levantado pela proposição é que seja feito um painel dentro dos coletivos com a rota de cada ônibus, assim como acontece em linhas de metrô. Para que não haja gasto público, isso poderia ser feito através em parceria com a empresa que produzir o serviço, tendo ela direito a determinada área do painel para expor a sua marca. Todos ganham: a empresa que divulga, a cidade que terá um transporte com mais informações aos cidadãos, e o usuário que terá um serviço mais qualificado.

Voltando ao início, será que faz sentido taxar um modal de transporte funcional como os aplicativos sem antes considerar a opção de fazer parcerias com a livre iniciativa para ajudar a cobrir os custos do nosso sistema oligopolizado? Ao meu ver, não há razão para não o fazer.

 Antes de pensar em como tirar mais dinheiro do cidadão, via novos impostos e taxas, é preciso estressar as opções que atendem interesse público e ao bem-estar da população sem lhes custar mais.

 

Administrador de empresas, especialista em Finanças e pós-graduado em Liderança Competitiva Global na Georgetown University (EUA). Vereador em Porto Alegre (Partido Novo)

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