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Porto Alegre mantém cobradores de ônibus. Quando avançaremos? – por Lino Zinn

O Ano é 2020 e, em algumas cidades do mundo, montadoras como Audi, BMW, Mercedes-Benz e Tesla têm lançado modelos que isentam cada vez mais os condutores de suas obrigações.

Google e Uber já testam veículos com softwares automatizados nas ruas. O futuro do transporte será este: carros, caminhões e ônibus autônomos guiados por computador. Hoje, na maioria das cidades desenvolvidas, os ônibus de transporte coletivo são operados apenas por motoristas, uma vez que a revolução tecnológica já faz com que 90% dos pagamentos sejam feitos por meio eletrônico.

No Brasil, um país com muitos contrastes, ainda temos a presença do cobrador, que está ali para cobrar a tarifa dos usuários e, ironicamente, em Porto Alegre, é obrigado a estar presente até mesmo em dias de “passe livre”. Entretanto, em muitas cidades do Brasil, a presença do cobrador já é flexibilizada e muitas outras já operam sem a presença do cobrador. Algumas destas cidades estão, inclusive, na região metropolitana de Porto Alegre.

Nesta última segunda-feira, foi debatido o projeto de lei que viabiliza a flexibilização da presença do cobrador, garantindo o emprego de todos os cobradores atuais, porém desobriga a contratação de novos cobradores para os horários compreendidos entre 22h e 4h da manhã. Assim, nos horários de pico, seguiria obrigatória a presença dos cobradores, profissão que, no mundo todo, está em extinção.

Para ser razoável, além da não demissão sem justa causa, o projeto de lei previa a preparação, formação e qualificação da classe para novas profissões com um futuro mais promissor. Esse foi o debate travado na última segunda-feira: preparar a cidade para o futuro, preparar profissionais para o futuro.

Infelizmente, devido a uma inabilidade política do governo e a alguns membros do parlamento que não compartilham desta mesma visão, o resultado foi a permanência dos cobradores full time, em todos os dias e horários da operação.

Mas então a Câmara dos Vereadores vai impedir que o desenvolvimento, que o futuro chegue a Porto Alegre? Certamente não. Em algum momento, em breve, o transporte coletivo sofrerá uma disruptura através de alguma tecnologia inovadora e o futuro chegará, como chegou para as videolocadoras, para a hospedagem, para o transporte individual, para os bancos e outros setores.

Quando isso acontecer, o consumidor vai poder optar entre um novo modelo eficiente de transporte privado de grupos ou nosso transporte coletivo que empacou no século passado.

(Lino Zinn é publicitário e empresário)

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