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Porto Alegre, entre desafios e oportunidades – por Felipe Camozzato

O ano de 2020 foi avassalador: uma pandemia, milhares de mortes, irresponsabilidade política, crise econômica, educacional e no sistema de saúde, aumento do poder estatal sobre o cidadão, imposições de medidas restritivas à liberdade – você decide, tivemos de tudo. Contudo, se engana quem acredita que em 2021, por algum motivo de justiça cósmica, as coisas serão compensadas sem esforço algum.

Quase que ironicamente, para cada oportunidade que surgiu com a virada do ano, um desafio também se apresentou, como um fim que aguarda um caminho. O primeiro passo para enfrentarmos os prejuízos decorrentes da pandemia e superarmos a crise que ainda persiste é conscientizar o cidadão comum do seu relevante papel como protagonista na sociedade. Esperar passivamente que as soluções simplesmente venham do sistema, dos governantes e de burocratas, além de ser a receita para o fracasso, é, como diria Friedrich Hayek, no seu livro “O caminho para a servidão”. Para o autor, ao admitirmos sucessivas e graduais intervenções estatais, aparentemente inofensivas, na economia e em nossas vidas, somos levados à supressão das liberdades. Como bem nos ensinou o austríaco, ganhador do prêmio Nobel de 1974 de economia: “O controle econômico não é apenas o controle de um setor da vida humana, distinto dos demais. É o controle dos meios que contribuirá para a realização de todos os nossos fins”.

Nesse sentido, como agentes de mudança, os indivíduos que foram lesados por medidas restritivas no ano que passou devem partir da indignação para a ação. É preciso assumir a responsabilidade, se engajar no processo político, questionar e cobrar sempre que necessário, para que os direitos à vida, à liberdade, à propriedade e à busca pela felicidade sejam assegurados e que o dinheiro do pagador de impostos seja respeitado.

Os planos que temos para este ano são ambiciosos: uma capital competitiva, com equilíbrio fiscal e zeladoria em dia, e que faça com que o porto-alegrense queira ficar, e não fugir. Por isso, precisaremos da compreensão do momento em que vivemos e que possamos crescer à altura dos desafios que se apresentam e, através deles, atingir uma cidade melhor para todos. A classe política tem um papel fundamental no processo de recuperação e por isso deve ser acompanhada de perto pelo cidadão.

Assim, os próximos quatro anos não devem ser vistos como um espaço de passividade, mas sim de ação, de garra e, se formos bem sucedidos, de conquistas para a cidade de Porto Alegre. A tão esperada vacina chegou, temos uma nova gestão municipal e uma pauta de trabalho para o ano legislativo que inicia agora em fevereiro. Nesta legislatura, temos a oportunidade e a difícil tarefa de quebrar alguns tabus, como, por exemplo, de um plano diretor com premissas ultrapassadas de como cidades crescem e se desenvolvem. Há também a necessidade de colocar em prática as premissas da lei da liberdade econômica, aprovada em 2019, e ainda trazer para o debate a pauta sobre o que deve ou não ser estatal.

A Câmara de Vereadores tem um papel de protagonismo na discussão dos rumos da capital gaúcha, seja pelo seu elemento conciliador entre sociedade civil e poder público, seja por seu papel fiscalizador e independente do poder executivo. De minha parte, os desafios também são grandes: iniciei o segundo mandato ciente dos desafios e motivado pelas oportunidades, na condição de presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de Porto Alegre e líder da Bancada do Novo, com um olhar independente e atento aos compromissos firmados pela nova gestão.

Administrador de empresas, especialista em Finanças e pós-graduado em Liderança Competitiva Global na Georgetown University (EUA). Vereador em Porto Alegre (Partido Novo)

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