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Pensar diferente para fazer o óbvio – por José Antonio Rosa

Em 21 de agosto de 1940 desembarcava no Brasil o famoso escritor austríaco Stefan Zweig que escreveu o livro “Brasil, país do futuro”, publicado em 1941. A expressão que estaria selando um destino promissor para o país, ao longo das décadas, converteu-se em esperança e depois em dúvida. Agora parece não ser mais que uma utopia.

Frente à realidade europeia, em comparação com a potencialidade brasileira (na década de 1940 e mesmo na atualidade) expressa na extensão territorial, nas riquezas minerais e vegetais, na capacidade de produção agrícola e em uma situação demográfica na qual 43% da população encontrava-se na faixa etária de 0 a 14 anos, era justificado o otimismo de Zweig.

A grande pergunta que nos atormenta é: o que aconteceu? Por que não conseguimos decolar rumo ao desenvolvimento e à prosperidade? Por que ficamos sempre no “quase”?

As explicações são as mais variadas e para todos os gostos. Nenhuma delas é conclusiva ou aponta efetivamente o caminho para uma solução.

Se observarmos o Brasil, nesses quase 80 anos que se sucederam à publicação do livro do escritor austríaco, percebemos momentos importantes de crescimento da economia brasileira, mas que não estiveram acompanhados das reformas e transformações que dariam solidez a um desenvolvimento sustentável.

O Brasil oscilou entre o período de maior crescimento econômico da sua história, nos 1968 a 1973 (no qual chegou a ter taxas de crescimento que variaram de 11% a 14%), até o momento em que nos encaminhamos para a década (2011-2020) de pior crescimento em 120 anos.

Percebe-se que mesmo no período de crescimento, conhecido como o “Milagre Econômico”, que nos deveria ter encaminhado para o desenvolvimento, entremeado pela redemocratização, a Nova República e pela Constituição Cidadã de 1988, até chegarmos à desgraça dos governos petistas, há uma constante que os caracteriza: a falta de investimentos maciços em educação, que teriam sido a base para o empreendedorismo, a criatividade, a inventividade, a qualidade, a produtividade e a efetiva “distribuição de renda”.

Não se trata de investimentos financeiros, porquanto o Brasil é um dos países do mundo, em percentual do PIB, que mais destina recursos para a educação. A questão nodal é o investimento em educação de qualidade que desenvolva habilidades nos estudantes, como assim o fizeram nações como Coreia do Sul e Vietnã, que nos anos 1950 e 1970 estavam passando por conflitos armados; ou a China, que na década de 1970 estava imersa em conflagrações políticas, econômicas e sociais; e mesmo Singapura, que até 1965 nem sequer era um país independente. Todas essas nações desenvolveram-se, enriqueceram ou estão em franco processo de desenvolvimento.

De qualquer sorte, a educação, como fator isolado, não explica a incapacidade do Brasil de trilhar o caminho do desenvolvimento. Entendo que a solução passa necessariamente por cada um dos brasileiros.

Num mundo globalizado onde a internet rompeu todas as fronteiras e nos coloca on line diante de qualquer realidade, creio que podemos identificar as melhores escolhas, os melhores projetos e comparar os resultados. É preciso pensar diferente para fazer o óbvio.

Isso nos obriga a sair da situação de coadjuvante e colocarmo-nos na condição de protagonista dos destinos do país. Fazer as melhores escolhas para a nação não começa pelos nossos dirigentes e políticos, mas sim por cada cidadão a partir de suas vidas. Precisamos aprimorarmo-nos como cidadãos e sermos melhores como pessoas.

Os novos tempos exigem um amadurecimento e mudança de mentalidade dos brasileiros. No âmbito tecnológico os desafios são impiedosos, especialmente com o surgimento da Quarta Revolução Industrial. Na economia o horizonte no cenário internacional é um tanto nebuloso e o Brasil não suporta mais o “voo de galinha”, como afirmou o economista José Roberto Mendonça de Barros, em recente entrevista ao Estadão.

Esses fatos e realidades servem para uma boa reflexão, pois os destinos do Brasil transitam necessariamente pelas decisões e escolhas que fazemos diariamente nos vários espectros de nossas vidas.

O escritor Stefan Zweig conseguiu observar com propriedade as potencialidades do Brasil, não sem fazer as devidas observações e críticas. Entretanto, não conseguiu vislumbrar outro caminho senão o da prosperidade para o país. O tempo e as atitudes não concretizaram esta realidade.

Cabe a cada brasileiro revigorá-la e não permitir que o que foi certeza se transforme em maldição.

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