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Pandemia e pandemônio – por Carla Rojas Braga

Autoridades são modelos e simbolizam figuras parentais. Deveriam ter a responsabilidade pertinente ao cargo que ocupam com dignidade e sanidade mental.
Dois perfis nos convidam a  refletir: o psicopata e o borderline.

O psicopata utiliza a mentira como uma ferramenta de trabalho. Rouba ou mata sem culpa. Sente prazer em enganar.

Mente olhando nos olhos e com atitude completamente neutra e relaxada.

Não mente circunstancialmente ou esporadicamente para conseguir safar-se de alguma situação. Ele sabe que está mentindo, não se importa, não tem vergonha ou arrependimento, nem sequer sente desprazer quando mente. E mente, muitas vezes, sem nenhuma justificativa ou motivo. Normalmente, diz o que convém e o que se espera para aquela circunstância.

Pode mentir com a palavra ou com o corpo, quando simula e teatraliza situações vantajosas para ele, podendo fazer-se arrependido, ofendido, magoado. Esse mentiroso contumaz prioriza algumas fantasias sobre circunstâncias reais. Isso porque sua personalidade é narcisística e quer ser admirado, ser o mais rico ou o mais pobre, o melhor do mundo, ou o mais sofrido, o mais justiceiro ou o mais injustiçado. Assim, tenta adaptar a realidade à sua imaginação, a seu personagem, de acordo com a circunstância e com seu narcisismo.

Não  aceita  benefícios  da advertência e da correção. Disfarça seu caráter anti -social, mas volta a infringir a lei, e é  incorrigível, mesmo que tenha uma experiência na prisão.

Por outro lado, um borderline age de modo imprevisível e impulsivo, sem medir consequências, tem humor  instável e incapacidade de controlar o comportamento explosivo e conflitante  com os outros, particularmente quando os atos impulsivos são contrariados ou censurados. Não mede  conseqüências, tem comportamento briguento e imaturo. Tem dificuldade em manter qualquer ação que não ofereça recompensa imediata, tal qual uma criança.

Além disso, tem a tendência a se envolver em relações intensas e instáveis, sempre levando a crises emocionais.

Não poupa esforços para evitar ser abandonado e sempre se envolve em atos de autolesão, suicídio real ou moral.

Uma alegria contagiante pode se transformar em tristeza profunda em um piscar de olhos porque alguém “pisou na bola”.

O amor intenso vira ódio profundo, porque a atitude foi interpretada como traição.

Além da montanha-russa emocional e da dificuldade em controlar os impulsos, tende a enxergar a si mesmo e aos outros na base do “tudo ou nada”, o que torna as relações extremamente desgastantes.

É capaz de mentir para não ser abandonado ou para se colocar em disputa e conflito, mas a mentira é infantil, com narrativa pobre e facilmente desmascarada.

A diferença entre o psicopata e o border, psicótico, é que o psicopata sabe que está agindo errado e o psicótico, na maioria das vezes, não. O border pode ser tratado, porque consegue sentir remorso e pode responder ao tratamento psicoterápico e  com medicação. O psicopata, não.

A semelhança é que ambos, se autoridades, são maus exemplos,  líderes fracos e   podem transformar um país em pandemia num pandemônio.

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