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O vitimismo é nosso algoz – por Carla Rojas Braga

Uma das doenças mais preocupantes do país é a ”cultura da vitimização “.

Vitimização muitas vezes de quem exalta quem comete crimes, vive uma vida de desvios, mas que culpa sempre os outros.

E essa narrativa acaba ganhando destaque na imprensa marrom.

Lemos que caminhões matam em atentados terroristas, como se fossem autônomos, ou armas que matam alunos, como se ninguém tivesse puxado aquele gatilho.

Lemos que um corrupto, ladrão e assassino foi vítima de um juiz que não ia com a cara dele.

Pessoas fracassadas e/ou mal intencionadas  costumam depositar a culpa dos seus erros nos outros, de preferência em algo bem vago, como um  juiz, a sociedade, o governo atual, ter sofrido bullying, etc.

Essas pessoas, segundo sua ótica, seriam apenas vítimas, sem qualquer livre arbítrio, subjugadas a forças ocultas.

Ficam, assim, com a consciência tranquila,  jogando nos outros a culpa dos próprios erros.

Na verdade, jamais sairiam da completa mediocridade se não tivessem cúmplices. Jamais levaram uma vida correta, mas acham explicação para isso também.

Não podemos escolher tudo o que acontece conosco, mas escolhemos em parte como reagir às contingências do destino.

Ser uma pessoa honesta ou desonesta é uma questão de opção. Ganhar dinheiro com seu trabalho  dá trabalho, mas para quem é honesto, vale a pena. O fracasso é sempre um aprendizado e propicia a resiliência que, por sua vez, possibilitará o sucesso futuro.

Para quem é incompetente,  ganhar dinheiro roubando é mais fácil e o fracasso não ensina nada.

Um narcisisista e psicopata não se regenera com o confinamento. Não se deprime. Não se sente culpado por nada. Não sente remorso.

Ao contrário,  apenas alimenta mais ódio e desejo de vingança.  Não faz nenhuma reflexão sobre o porque esteve preso.

Um problema da cultura da vitimização é que ela acaba com um sistema de moralidade que não oferece incentivo para o bom comportamento.

Os países que adotam a cultura da vitimização estão fadados à miséria eterna. Econômica e moral.

As culturas que acreditam na honra incentivam a bravura como principal virtude.

Mas se você quer ser notado em uma cultura de vitimização, o que você faz? Não pode simplesmente se transformar numa vítima num passe de mágica.

Ou, na verdade, pode.

Pode relatar o comportamento dos outros em relação a você como prejudicial frente a qualquer contrariedade e pode até mentir sobre ser vítima de violência e outras ofensas, buscando na Justiça uma retratação.

A conivência de certos tribunais confere ainda mais veracidade às falsas ofensas sofridas e joga essa pessoa normalmente medíocre nos holofotes daquela porção da  imprensa igualmente corrupta.

A cultura da vitimização incentiva o mau comportamento.

Incentiva a ação de pessoas incompetentes e mal intencionadas a adquirirem um status e uma notoriedade que não teriam se dependesse de suas qualidades.

A  cultura da vitimização elege bandidos e torna um povo leniente com o crime.

Felizmente,  as últimas manifestações populares e os movimentos sociais mostram que os brasileiros estão cansados de ser vítimas e estão dispostos a mudar seu destino.

Os  brasileiros podem estar se curando da Síndrome de Estocolmo.

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