Insira sua pesquisa e pressione ENTER

O petróleo não é nosso – por Felipe Camozzato

Há quem diga que o petróleo é nosso, que a Petrobras é nossa, estratégica para a sociedade e essencial para o bem-estar da nação. Eu acrescentaria que ela é para quem tem poderes. De ter e de distribuir.  A política brasileira ainda tem exemplos de gestão assim. A Petrobras é de quem está no comando do país. Em diferentes momentos da história, transita algo em comum: a estatal serviu como ferramenta a um projeto de poder.

Assim foi quando a companhia – gerenciada por Graça Foster – viu seu preço de mercado derreter, durante o governo Dilma, depois de uma série de intervenções atrapalhadas que visavam conter preços artificialmente e sustentar narrativas políticas. Quem lembra quando as ações que flutuavam na casa dos R$ 27,00 passaram a valer R$ 8,00?

Num passado mais recente, com Temer na presidência, tivemos um discurso pela retomada de confiança na companhia. No comando, Pedro Parente assumiu com a chancela da confiança do mercado. Sem muitas intromissões na gestão, o resultado foi com a volta das ações ao patamar dos R$ 25,00.

Roberto Castello Branco, cujo mandato encerra no dia 20 de março, agregou dando continuidade da gestão técnica da companhia, em uma terceira geração de reconstrução da estatal. Deixará legados importantes, como o maior lucro nominal da história da Petrobras em 2019, de quase 60 bilhões de reais, e um crescimento relevante em comparação a outras companhias no turbulento ano de 2020.  Contudo, em virtude das pressões políticas ocasionadas pelo aumento dos preços dos combustíveis, Bolsonaro já anunciou o novo escolhido para o cargo, general Joaquim Silva.

Dá para entender o porquê nada é nosso?

O entendimento que a privatização é a melhor escolha passa por realidades como a que expliquei nos parágrafos anteriores. Assim, os mercados poderão ser abertos para novos agentes, o que deve ser dar por meio de uma abertura efetiva, que privilegie e permita a entrada de novos concorrentes nesse mercado. Desta forma sim, poderemos sentir os reais benefícios dessa mudança.

O que deve ser feito, na verdade, é permitir que empresas de fora possam vir e competir conosco, trazendo tecnologia e novas ferramentas. É abrir caminho para que brasileiros também possam empreender no ramo de maneira desburocratizada, o que auxiliará a manter os preços acessíveis e o produto adequado.

Tal problema só será resolvido quando a Petrobras voltar para as mãos do mercado e, por consequência, de seus consumidores, acionistas e, até, concorrentes, os quais efetivamente somos nós – o povo. Está na hora da Petrobras voltar a ser do povo.

Administrador de empresas, especialista em Finanças e pós-graduado em Liderança Competitiva Global na Georgetown University (EUA). Vereador em Porto Alegre (Partido Novo)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *