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O mito do serviço público e gratuito – por Felipe Camozzato

Já passou da hora de os políticos mudarem o jeito de lidar com os recursos do pagador de impostos.

Pense nas suas despesas particulares, por exemplo: caso você gaste demais com festas e compras desnecessárias, não sobrará para o que é mais importante.

Esse é um dos motivos de eu assumir o compromisso de poupar mais de 90% da verba indenizatória que todos os vereadores têm direito. Afinal, creio que falo também por você quando digo que ninguém aguenta mais ver os burocratas torrando o dinheiro do cidadão que sustenta a máquina pública.

Para quem não sabe, os gabinetes podem gastar mais de R$ 17 mil reais por mês com o que é necessário para o trabalho diário, como compra de materiais de escritório, ligações telefônicas, assinaturas de jornais, etc. Até esse mês de dezembro, meu gabinete nunca gastou mais de R$ 1 mil reais desse total. Entendo que talvez o leitor pense que somente esse valor não irá, de fato, mudar a nossa cidade, porém se é da própria política que deve vir o exemplo, tenho feito a minha parte.

É verdade que a Câmara de Vereadores tem recorrentemente devolvido, ao final do ano, valores expressivos à prefeitura oriundos de verbas não utilizadas pelos vereadores e pela instituição. Em 2018, por exemplo, foram mais de R$ 30 milhões orçados para o legislativo e que não foram utilizados. Vamos além e imaginemos que todos os vereadores resolvam também economizar R$ 15 mil mensais ao longo dos 4 anos de mandato. Seriam pelo menos R$ 25 milhões a mais nos cofres públicos até o fim da atual legislatura. Sim, R$ 25 milhões! Só para dar uma noção da importância desse valor, nos últimos anos o investimento médio em recuperação asfáltica na cidade foi de R$ 10 milhões por ano.

Da mesma forma, a prefeitura vendeu o sonho de que o aumento do IPTU serviria, dentre outras coisas, para resolver problemas finalísticos da cidade, como asfaltar ruas, reformar praças e efetuar melhorias de saneamento na cidade. Porém, aprovado o projeto, o prefeito tem pedido autorização de captar financiamentos para todas essas áreas, aumentando o endividamento do município. São cerca de R$ 1 bilhão já autorizados pela Câmara em empréstimos nos últimos seis meses.

Mas, importante lembrar, é preciso alterar a percepção de que dinheiro público não tem custo.

Se atualmente funções básicas atribuídas ao Estado não são cumpridas e serviços que deveriam ser de qualidade não são entregues, isso ocorre por falta de gestão e respeito com o dinheiro de quem sustenta a máquina pública. Portanto, resolvi antes de tudo começar a trazer essa nova maneira de lidar com a coisa pública para o meu próprio gabinete.

Esse é apenas um exemplo de como um novo jeito de fazer e pensar a política traz grandes benefícios. Afinal, não existe nem almoço, nem materiais de escritório, nem tampouco ligações de telefone grátis e, no caso do poder público, a fatura tem destino bem delimitado: quem paga é você!

Administrador de empresas, especialista em Finanças e pós-graduado em Liderança Competitiva Global na Georgetown University (EUA). Vereador em Porto Alegre (Partido Novo)

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