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O melhor remédio para economia é o combate ao coronavírus – por Douglas Sandri

Uma pandemia é uma palavra que gera receio e insegurança tal qual uma guerra. Não existe comparação mais óbvia e imediata. É tanto que o tratamento legal para estes regimes de exceção são muito semelhantes. Diante do imponderável as pessoas recuam, travam gastos e investimentos. Nestes momentos, todos que podem mantêm para si os recursos que conseguem economizar, reduzem a atividade e racionam tudo que podem. É por isso que falta liquidez no mercado, a roda da economia para de girar.

Por si só a existência de uma epidemia, que pode fugir do controle, causa impacto econômico através da insegurança que gera. O Covid-19 está fazendo algo nunca visto. Ele já extinguiu os leitos de UTI das regiões mais populosas e economicamente ativas das principais potências mundiais. Parou o tráfego aéreo por sobre os oceanos e colocou mais aviões nos pátios dos aeroportos do que o atentado de 11 de setembro de 2001, que havia fechado o espaço aéreo americano pela primeira vez. Inimaginável que a atividade mundial tenha caído a praticamente zero. Hoje, perto de 3 bilhões de pessoas vivem oficialmente sob isolamento social. Medidas com tamanho grau de restrição à livre circulação não foram experimentadas sequer nas grandes guerras mundiais.

O grande ponto que tem se levantado é a falsa dicotomia entre vida e economia. Não há como separar uma coisa da outra. A economia só é um aspecto da vida humana. É a interação dos indivíduos buscando satisfazer suas necessidades ou elevar seu nível de satisfação. Ludwig von Mises, economista liberal, dizia em Ação Humana, sua mais célebre obra, que “o homem busca sempre substituir um estado menos satisfatório por outro mais satisfatório”.

Os governos, buscando preservar a vida, atuaram no sentido de restringir a ação humana para evitar o alastramento de um vírus altamente contagioso que colapsa o sistema de saúde. Não está no debate se o governo deveria ou não atuar impondo restrições. O consenso dos líderes mundiais pelas medidas drásticas aponta a ausência de outra alternativa viável. Certos ou errados, os governos agiram e a situação é a de milhões de pessoas em casa. No Brasil, um país com 25 milhões de pessoas economicamente vulneráveis já sem a crise, parecia impossível que se pudesse proceder com um fechamento completo. Aconteceu, e aconteceu da pior maneira. Movimentos não coordenados promoveram o evento que marcará nossa história. Junto com os países mais ricos do mundo, Brasil e a América Latina foram parados pelos seus governantes.

Foi quando isso aconteceu que quem produz passou a reclamar das decisões tomadas por quem nada produz – o governo. Fechar a economia custa mais vidas do que as que serão perdidas pelo coronavírus, sustentam alguns. Mas não é possível uma economia rodar tranquilamente sem UTI’s, sem leitos em hospitais ou sem médicos para atender qualquer acidente de trânsito ou de trabalho, sustentam do outro lado. As pessoas não vão topar saírem da retração econômica para tocar a vida normalmente como se nada tivesse acontecendo.

É preciso desenhar uma saída responsável de dentro desta paralisia econômica. Milhões sofrerão duramente as consequências de uma economia em gravíssima recessão. No entanto, não pode ser de qualquer jeito, não pode ser ignorando a existência de um poderoso inimigo invisível que se multiplica dentro das células humanas.

A saída é vencer a guerra contra ele, recuperar a confiança das pessoas e a disposição para o investimento. Não será derrubando as medidas restritivas de qualquer forma, descoordenadamente como elas foram implantadas. Seria irresponsável tanto quanto foram as medidas draconianas que restringiram a liberdade. Não se pode ficar sem um plano para a economia, mas depende-se da saúde. Mesmo que todas as medidas fossem levantadas hoje, a economia não iria girar. Neste momento, sem o arrefecimento do número de casos, as pessoas economizarão nos itens de consumo e não comprarão bens duráveis como uma geladeira, quem dirá carros ou apartamentos. Ainda mais com todo o mundo parado do lado de fora.

Engenheiro eletricista graduado na Universidade Federal do RS e assessor parlamentar na Câmara dos Deputados

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