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Novos ares para a democracia latino-americana – por Felipe Camozzato

Historicamente, a América Latina tem sido laboratório de maus hábitos políticos que lhe custam caro: o populismo, com toques de autoritarismo, à esquerda e à direita. Muitos dos principais romances do ícone local do liberalismo e Nobel de Literatura, Mario Vargas Llosa, retratam a “cartografia do poder” latino-americano durante o século XX. Através de seus livros, nos ambientamos com as ditaduras militares que reinaram em nosso continente: Odría, Trujillo, Somoza, Castillo Armas, entre outros.

Que tenhamos no futuro alguém que retrate também os desmandos da esquerda nesses últimos anos da política latino-americana. Isso porque, independentemente do país, o ciclo natural parece ser o mesmo. Demagogos de direita que são substituídos por demagogos de esquerda, num ciclo que poucas vezes é rompido. A Argentina que sinaliza com uma nova moratória da dívida externa, e a Venezuela, à qual sabemos todos sua situação, são exemplos disso.

Dentre esses sinais desanimadores, as eleições recentes dão algum alento. No Uruguai, Lacalle Pou, tem se mostrado um líder à altura da defesa de valores liberais. No Equador, a vitória de Guilherme Lasso evidencia uma guinada para uma visão pró-mercado, se distanciando do populista Rafael Correa e do candidato apoiado por ele. No Peru, apesar de um segundo turno polarizado que foi formado, há de se notar que Hernando de Soto, representante do liberalismo no país, ficou fora do segundo turno por uma margem apertadíssima de votos.

Que esses ventos renovadores tragam novos ares ao Brasil em 2022, que precisa mais do que nunca romper uma falsa inevitabilidade de uma polarização que se desenha. Que tenhamos líderes políticos qualificados e do calibre que uma nação como a nossa exige – não apenas no executivo, como também no legislativo. Precisamos de líderes racionais, que trabalhem para realizar uma verdadeira abertura econômica, avançando em reformas e nos processos de privatização, e assim, solidificando as instituições democráticas.

Administrador de empresas, especialista em Finanças e pós-graduado em Liderança Competitiva Global na Georgetown University (EUA). Vereador em Porto Alegre (Partido Novo)

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