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Notícia ruim – por Valter Nagelstein

O que é um comportamento natural? Tudo aquilo que foi impresso na nossa carga genética ao longo da evolução, que reproduzimos de forma mecânica, automática, sem sequer nos apercebermos, o intuitivo como descobriram os programadores de apps, que inclusive usam as crianças para o desenvolvimento dos programas.

O Escritor israelense Yuval Harari, autor do best Seller Homo Sapiens, ao falar da nossa evolução afirma que a fofoca (sim a fofoca!) foi um vetor do desenvolvimento da fala e da própria inteligência. Ele cita alguns exemplos: alguns médicos que estão no restaurante do hospital, no horário do almoço e questiona: Será que eles falam sobre os procedimentos cirúrgicos, um remédio ou tratamento? Talvez 20% ou 30% do tempo. Na maior parte, falam do colega que saiu com a colega – se ocupando, como todas as pessoas em todos os ambientes, da vida alheia. É fato. E por que? Porque é da natureza humana. Pode ser no Fórum dos Advogados, no salão de beleza, enfim.

Esse comportamento, portanto, é natural e assim sendo é estendido a outras áreas, entre elas a das ciências da comunicação, que sabendo e identificando a utilizam para proveito econômico. Como? Me refiro especialmente agora ao que o jargão popular consagrou como “notícia ruim corre rápido”. Um tipo de “jornalismo” (se é que assim podemos chamar) que se manifesta aproveitando-se do direito de liberdade de imprensa para criar noticias falsas ou sensacionalismo, e pela curiosidade (natural) ganhar leitores – e tirar proveito econômico.

Exemplifico: há alguns dias, um grande site de notícias trazia a manchete “Prefeito de Florianópolis fala em voltar a fechar o comércio”. Tal prefeito foi um dos primeiros a agilizar medidas de flexibilização da atividade econômica na pandemia. Será que ele havia errado? A manchete era uma isca. Quando se clicava a notícia dizia: “Florianópolis está muito bem, não teve mais contaminação, não registou mortes, mas caso volte a crescer o número dos contágios a partir da flexibilização que o perfeito propôs, ele não hesitará em um novo afastamento social e a restrição das atividades comerciais”. Ou seja, a notícia em si era completamente diferente da “cartola”. Mas como há uma polêmica entre abrir ou não as atividades, a chamada era para capturar curiosos cliques.

Pergunto, qual é o propósito disso?

Assim como qualquer empresa, os veículos de comunicação buscam formas de expandir ganhos e encontraram nessa estratégia uma maneira de conquistar acessos. Cada clique entra para uma contabilidade e é convertido pelo departamento comercial em numeros para mostrar aos anunciantes.

Toda essa reflexão que proponho é para que tomemos ciência e não venhamos a servir como sujeitos ativos ‘propagadores’ ou passivos (o número do departamento comercial) de maledicências.

No mais, lembrando que até você pode ser vitima, não esqueça que “Na dúvida entre o que certo e errado, basta pensar no que não gostaria que fizessem ou falassem de você”.

advogado, vereador em Porto Alegre (RS)