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Nossas façanhas não servem de modelo a toda terra – por José Antonio Rosa

O Rio Grande do Sul tem uma dívida de mais R$ 100 bilhões. Entra no cálculo deste valor o déficit da Previdência estadual: R$ 12 bilhões.

Com esses números, proporcionalmente, o RS torna-se o estado com o maior déficit previdenciário entre todos os estados da Federação.

E se alguma alma bondosa resolvesse pagar de uma só vez toda essa dívida, o que aconteceria? O RS ficaria livre das dívidas de uma vez por todas? Não! Passado um ano, apenas, o estado voltaria a ter um déficit de R$ 2 bilhões, porque está atrofiado e, em consequência disso, metade dos impostos arrecadados servem apenas para pagar a dívida da Previdência Social.

Ou seja, o atual sistema é voraz, perverso, autofágico e as receitas estão aquém das despesas porque quem hoje financia o RS são: 1) os servidores públicos que recebem seus salários parcelados; 2) e a sociedade como um todo, que está empobrecendo.

A que se deve esse empobrecimento? Ao fato de que o RS perdeu a sua capacidade de investimentos em infraestrutura e tampouco consegue realizar uma política fiscal de redução de impostos para tornar o estado atrativo a investimentos privados.

E quem são os responsáveis por este caos? Todos os gaúchos. Em particular, os políticos, porque foram imprevidentes, incompetentes, irresponsáveis e perdulários; e o setor público, porque nunca quis participar da solução (e hoje a solução é o problema porque seus salários estão, ao menos por enquanto, sendo parcelados).

Nos últimos 40 anos, somente a ex-governadora Yeda Crusius consegui ajustar as contas e fechar o seu governo com superávit. Porém, o povo gaúcho decidiu não a reeleger e preferiu colocar em seu lugar Tarso Genro, do mesmo PT que com Olívio Dutra mandou embora a fábrica da Ford e deu início ao aprofundamento da cova financeira e social do RS, sobre a qual Tarso Genro colocou a pá de cal com uma administração igualmente inconsequente.

Hoje, quem governa o RS administra um túmulo com um morto em decomposição. As tentativas de preservar esse corpo inerte estão cada vez mais difíceis e parece que é inevitável que sobrem somente os ossos.

Seria essa uma perspectiva pessimista de um futuro sombrio para o Rio Grande do Sul? Não, pois os fatos, os números e as ações possíveis revelam a realidade. E esta é ainda pior, pois a reversão deste quadro está num horizonte muito distante, ainda não visível, e passa necessariamente por uma profunda mudança de mentalidade e postura.

É preciso mostrar valor e constância, por muito tempo ainda, para um dia vencermos uma guerra que permitimos se tornasse ímpia e na qual nossas façanhas não servem de modelo a toda Terra.

(José Antonio Rosa é advogado)

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