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Negacionismo interesseiro da maconha – por Carla Rojas Braga

Está em tramitação no Congresso a votação do substitutivo do PL 399/2015, de autoria do deputado petista Paulo Teixeira, para liberação do cultivo de maconha.

Nessa terça-feira, a Comissão Especial da Câmara o aprovou, com o voto de desempate do relator, por um voto.

A liberação do cultivo, mesmo com restrições escritas no papel, certamente vai aumentar o consumo, principalmente entre os adolescentes, cujos pais poderão se sentir compelidos a não proibir a experimentação, pela confusão gerada entre maconha fumada e remédios feitos à base de canabidiol. Confusão gerada pela desinformação.

Experimentar substâncias como a cannabis, tabaco e álcool muito cedo está relacionado com o uso problemático e abusivo desta substância ao longo da vida. A descoberta pioneira foi publicada em maio deste ano na revista médica BMC Public Health e alerta para a importância da prevenção deste padrão.

A pesquisa foi feita na Irlanda e reuniu dados armazenados de cidadãos entre 2010 e 2015 com o objetivo de determinar se havia relação entre a idade do primeiro consumo de álcool, tabaco e canábis e o abuso destas substâncias ao longo da vida, inclusive transtornos causados pelo uso desta.

A amostra reuniu 5134 pessoas com mais de 15 anos em 2011 e 7005 em 2015 também entre a mesma faixa etária. Os padrões para medir o uso de cannabis foram definidos pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência.

A amostra reuniu 5134 pessoas com mais de 15 anos em 2011 e 7005 em 2015 também entre a mesma faixa etária. Os padrões para medir o uso de cannabis foram definidos pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência.

O estudo descobriu que a idade média para iniciação de álcool foram os 16 anos em 2011 e 15 anos em 2015; de tabaco foi de 15 anos no primeiro e segundo ano e a cannabis aos 19 anos em ambos. Os cidadãos entre os 15 e os 34 anos iniciaram-se mais cedo do que os cidadãos com mais de 35 anos e quem consome de forma sistémica e/ou abusiva iniciou o consumo mais cedo que os restantes que consumiam esporadicamente.

Outra conclusão é que quem faz uso regular de cannabis tem um padrão: Uso excessivo de tabaco e álcool; é mais propenso a ser solteiro ou nunca ter casado; ter baixos níveis educacionais; menor probabilidade de estar empregado e ter menos bens, inclusive com grande probabilidade de viver em casas alugadas ou de amigos e familiares.

O estudo também apurou que existe uma iniciação sequencial destas substâncias: Álcool em primeiro, seguido do tabaco e em terceiro cannbis, cujo uso é mais pesado. Fatores como “contexto do primeiro uso, tipo e momento do uso, educação dos pais, expressão de comportamentos e problemas de conduta” são determinantes no uso desta substância ao longo da vida.

Assim, a idade prematura de iniciação ao tabaco, álcool e cannabis foi largamente associada ao desenvolvimento de transtornos relativos à cannabis como “distúrbios de saúde mental, sintomas psicóticos agudos, desenvolvimento cognitivo anormal, doença pulmonar crónica e doença cardiovascular” entre os mais jovens e relatar um uso regular, excessivo e problemático de cannabis. O que está ocorrendo agora é semelhante ao que aconteceu nos anos 40, 50,  quando existia, com apoio do cinema, a glamourização do cigarro.

As grandes indústrias conseguiam até fazer médicos atuarem como garotos-propaganda do tabaco, porque comunidade científica ainda não conhecia todos os malefícios do cigarro e porque o lobby era enorme.

Ao contrário do que defensores desse tipo de projeto falacioso dizem,  cientistas do mundo inteiro atestam sobre malefícios da maconha fumada. Só para dar um exemplo, pesquisa feita pela King’s University, mais recentemente, e antes, pela Duke, Israel, Suécia e Nova Zelândia, com 35 mil usuários por mais de 30 anos, concluiu que, pela exposição com a fumaça tóxica, o sistema respiratório do usuário tem problemas como bronquite e perda da capacidade: 4 vezes mais alcatrão e 5 vezes mais dióxido de carbono na fumaça de maconha torna os usuários mais sujeitos a desenvolver câncer de pulmão e de testículo. Mais do que os usuários de tabaco.

Os efeitos psíquicos são paranóia, letargia, menor memória, alucinações e delírios persecutórios.

O uso de maconha leva ao desenvolvimento da esquizofrenia. As pesquisas concluíram que usuários têm 4 vezes mais risco de desenvolver,  mesmo sem histórico familiar.

O uso de maconha pode lesar um cérebro jovem, especialmente o córtex pré frontal, responsável pelo juízo crítico, e hipocampo, responsável pela memória e aprendizado, deixando-o menor, com diminuição do QI em até 8 pontos.

Isso é um problema de saúde pública. O país precisa sustentar seus doentes a vida toda. Medicação e internações para esquizofrênicos são muito caros.

Além disso,a maioria dos crimes é cometida por usuários ou traficantes.

A legalização não diminui o tráfico, porque o consumo de maconha abre as portas para o consumo de outras drogas e disputas entre facções.

Cigarro e medicamento são coisas bem diferentes. O que está começando a ser testado no mundo são medicamentos de canabidiol, desenvolvidos pela grande indústria farmacêutica. Esses medicamentos podem ser elaborados com canabidiol sintético.

Permitir o cultivo vai aumentar o consumo da maconha fumada e traficada. Vai , inclusive,  promover o desmatamento de grandes áreas,  como as da Amazônia,  para grandes grupos plantarem cannabis, como já acontece na América do Sul.

Fumar faz mal e todo mundo já sabe disso. Tanto faz se for cigarro de tabaco, maconha ou grama. Faz muito mal. Não adianta negar. Uma criança com epilepsia ou um paciente com câncer não podem fumar nada.

Legalizar o cultivo de maconha pode oficializar o país como um narcoestado e gerar uma nação de doentes.

O Brasil não precisa de mais consumidores de drogas, nem de mais traf, nem de mais negacionistas das coisas que fazem mal. Nosso país precisa de gente inteligente e saudável, com o cérebro íntegro, para pensar em como  transformar o país num lugar melhor para vivermos, sem a polarização psicopática, com menos corrupção, menos violência, mais educação e mais saúde.

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