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Não mexa no meu fundão – por Felipe Camozzato

Em decisão polêmica do nosso Congresso Nacional, R$ 2 bilhões poderão ser despejados em campanhas eleitorais neste ano de 2020, frutos do veneno chamado Fundão Eleitoral. Essa doença psicológica, cuja origem reside na crença de que é razoável tirar dinheiro da segurança, saúde ou educação para candidatos e partidos imprimirem panfletos e comprarem espaços no seu jornal diário, é sintomática. Evidência clara, creio, da incapacidade do brasileiro razoável e bem informado de combater a avalanche de obscenidades produzidas pela política nacional.

A resposta destes, naturalmente, costuma ser rejeitar o sistema político e generalizar seus participantes. É um ato de defesa genuíno, de fácil compreensão e difícil reprovação. Oras, mais fácil e prático generalizar para se defender, do que perder horas lendo e acompanhando para conseguir diferenciar a olho nu Hereford de Angus. No caso da política brasileira, porém, talvez nunca tenha sido tão fácil identificar de que lado cada um está.

Uma pergunta simples, direta e objetiva, já permite facilmente direcionar a atenção do brasileiro razoável ao que importa. É ela: este parlamentar ou partido orientou voto favorável ao Fundão, ou utiliza/utilizará o mesmo em campanha? Sinal vermelho. Não vote e recrimine. Todos os demais, que são manifestamente contrários e que batalham pela extinção dessa aberração, pode acompanhar e verificar demais critérios para votar.

Tudo bem, você pode pensar que tenho viés ao escrever isso por ser um parlamentar do Novo. E possivelmente eu tenha. Porém, diversos outros parlamentares fora do Novo concordam comigo e preenchem o critério que cito acima. Também não são eles todos apenas liberais ou conservadores, como o público que gosta do meu trabalho geralmente se identifica. Mas estes parlamentares e partidos merecem a sua atenção e o seu reconhecimento, ainda que parcial. Quem não merece é todo o resto (e aqui pode generalizar à vontade).

Ainda não está convencido? Então vamos a algumas comparações de grandezas. R$ 2 bilhões é o tamanho do orçamento médio de um município de meio milhão de habitantes. R$ 2 bilhões tornariam o acesso a esgoto universal em Porto Alegre (hoje só acessível a metade da cidade). R$ 2 bilhões ajudam cerca de dois milhões de beneficiados do Bolsa Família em um mês. R$ 2 bilhões custeariam cerca de 200 mil alunos por um ano letivo inteiro no ensino fundamental. R$ 2 bilhões são 142 vezes a doação de armas, munições e veículos que o Instituto Floresta realizou para a Brigada Militar e Polícia Civil do RS, ajudando a acabar com os recordes negativos de uma crise sem precedentes que vivíamos na segurança pública. Cento e quarenta e duas vezes!

R$ 2 bilhões, qualquer que seja a comparação, é uma imensidão de dinheiro. E nunca foi tão fácil ter um critério simples para diferenciar o joio do trigo. Lembre-se, basta uma pergunta.

Administrador de empresas, especialista em Finanças e pós-graduado em Liderança Competitiva Global na Georgetown University (EUA). Vereador em Porto Alegre (Partido Novo)

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