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Não há liberdade sem responsabilidade! – por Alex Pipkin

Oh, liberdades! Qual delas?!

Liberdade, trivialmente, é a ausência de coerção.

Todos desejamos liberdades, no entanto, como em tudo na vida, há sempre dois lados em uma mesma moeda.

Sempre deveriam coexistir direitos e obrigações; responsabilidades por parte daquele que quer ter sua liberdade livre da vontade arbitrária de alguém ou alguns.

Porém, muitos desdenham – conscientemente – da brutal distinção entre a proteção contra a coerção e o poder de coagir aos outros.

Creio que muita gente desconheça os dois conceitos fundamentais de liberdade – negativa e positiva – estabelecidos pelo grande filósofo Isaiah Berlin.

De acordo com ele, a liberdade negativa é a liberdade do controle e da coerção de outros, ou seja, livre de interferência direta de um outro indivíduo.

Já a liberdade positiva é aquela que dá ao indivíduo a liberdade de escolher o destino de sua própria vida, entretanto, aquela que implica na capacidade racional do autocontrole.

Ser positivamente livre é ser o seu próprio mestre, agindo racionalmente e fazendo suas próprias escolhas de acordo com seus interesses, mas escolhendo sempre com responsabilidade.

Singelo: na medida em que ninguém mais me controla, em tese, portanto, eu teria a obrigação de controlar meus impulsos não racionais para, de fato, ser livre.

É impressionante a incapacidade de certos pseudo-intelectuais de atentarem e distinguirem entre os direitos negativos que nos protegem da coerção dos outros, e direitos positivos que deveriam “obrigar” as pessoas a fazer coisas por todos os outros indivíduos!

Evidente que uma pessoa é livre para se manifestar e expressar sua liberdade, desde que aja de forma “madura”, mesmo que libertando-se de seus eventuais medos e fraquezas, contudo, sempre buscando a racionalidade e, publicamente, a ocasião e o ambiente na busca de preservar o interesse de todos.

O abuso individual pela falta de autocontrole, equipara-se ao controle estatal empregado supostamente para coibir comportamentos inadequados, a fim de justificar as corriqueiras intervenções estatais contraproducentes.

Trazendo à tona o caso do show de sapateado na cerimônia de formatura em Relações Internacionais, na UFRGS, seria equivocado criticar o aparente direito a liberdade do “dançarino”?

Mesmo que não se seja contrário a livre manifestação, num evento público, onde é impossível agir como num ambiente privado, a exemplo do lar, trocando o canal do show ou desligando a TV, deve-se concordar com a coerção em relação a assistência de tal momento?

Como disse meu amigo Roberto Rachewsky, “tomar a liberdade” na casa alheia, como a própria expressão sugere, é coerção. Perfeito!

Coerção que beneficia alguns pela eliminação ou redução da liberdade de outros!

A atitude do rapaz, indo de encontro a liturgia do evento, desejando impor a sua insaciável vontade sobre todos os presentes, constituiu-se claramente num emblemático exemplo de sua incapacidade de ser responsável e livre.

Diferentemente de muitos dos “bondosos de plantão”, apologistas do tudo é permitido, julgar aqui não é ser preconceituoso, é apontar a supremacia dos impulsos irracionais e da verdadeira ignorância alheia.

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