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História e futuro pós-pandemia – por Alex Pipkin

Embora toda a gravidade e o impacto da crise da Covid-19, esta não é nem a primeira pandemia – ex. gripe espanhola, ebola, etc. -, como também não é absoluta novidade em termos de crises; a humanidade conviveu com a estrondosa crise econômica de 2008, por exemplo.

Crises são como o yin yang da filosofia chinesa, em que o yin representa a escuridão, o passivo, enquanto que o yang representa a luz, o ativo.

Crises nos impelem a um repensar, a uma análise retrospectiva e projetiva ao mesmo tempo, à tentativa de identificar oportunidades para fazer diferente, de experimentar e de inovar, e de reforçar caminhos e/ou abandoná-los.

Isso se dá em todos os níveis, enquanto indivíduos, como também na situação de empresas e de países.

Neste sentido, além de olhar para frente, sempre é salutar olhar e analisar o passado. Evidente que é uma completa estupidez desconsiderá-lo e, mais ainda, cancelá-lo.

Claro que a pergunta que se impõe é como esta circunstância pandêmica afeta o indivíduo e, obviamente, o “sistema maior” em que ele está inserido, ou seja, as empresas, os países e o mundo.

O escritor, guru da Administração, Peter Drucker recomendava olhar para o futuro, focando mais nas oportunidades do que nos problemas, buscando descobrir algo diferente ao invés de seguir aquilo que os outros dizem e fazem.

Bem, com base na história, é possível compreender o movimento ocorrido em períodos pós-crise.

Não é a primeira vez que ocorre uma rápida expansão de tecnologias inovadoras, com o melhoramento de equipamentos e de processos e, agora, com o desenvolvimento da inteligência artificial, o maior uso de algoritmos e o avanço efetivo do comércio e das comunicações virtuais. O Brasil, inclusive, teve o segundo maior crescimento mundial em termos de utilização do comércio eletrônico.
Uma série de estudos tem apontado para o crescimento do papel do Estado na condução da vida em geral, e especialmente, na economia dos países.

Já o jornalista e escritor Thomas Friedman, acredita no aumento do poder corporativo, enxergando que os governos cederão autoridade e responsabilidade para as grandes empresas internacionais.

Friedman prevê que estamos entrando em um período de turbulência global, em razão da desigualdade de renda em escala nacional e internacional.

Para ele, a maior comunicação global evidencia o problema pela maior conexão entre os países.

Num aspecto eu concordo com Friedman, apesar da guerra comercial China-EUA, e do aumento do nacionalismo econômico, não creio que ocorra uma reversão da globalização econômica, tampouco das cadeias globais de valor.

Mas Friedman vê que as nações ricas terceirizaram a mão de obra em países de baixo custo, tornando ricos mais ricos e pobres mais pobres, o que aumentará as desigualdades e se tornará o estopim para novas crises, ou como alguns prognosticam, até mesmo para revoluções.

Sim, as novas tecnologias e a automação trarão desemprego e, ao mesmo tempo, novos tipos de empregos, porém, penso que não haverá compensações. Este é o custo do desenvolvimento que precisa ser enfrentado, na medida em que certamente será mais um motivo de desigualdades.

Objetivamente – e de forma triste – acho que veremos exatamente os dois movimentos ocorrerem paralelamente: o crescimento do Estado e o aumento do poder das corporações.

Presenciamos no Brasil um aumento da participação do Estado, com maior intervenção na economia, decretando uma série de regramentos e de exigências que tolhem o espírito e a capacidade dos indivíduos e das empresas de empreenderem. Com a Covid-19 este problema foi severamente agravado.

Similarmente, a judicialização da vida no país, tornou ainda mais difícil, complexo, arriscado e custoso para indivíduos e para empresas investirem, produzirem, empregarem e lucrarem.
Intervencionismo, subsídios, mercados fechados e compadrio, são as reais causas da falta de competição nacional e, consequentemente, da baixa produtividade, dos baixos salários e das desigualdades.

Por outro lado, também veremos o aumento de poder de CEO’s, que agora querem participar “mais ativamente” da vida política. Não é por acaso que há um grande coro em torno do capitalismo das partes interessadas. Acho que esse movimento representa a união entre autoridades estatais e grandes empresários corporativistas para, factualmente, concentrarem mais renda nas mãos de poucos grupos empresariais alinhados com os interesses estatais, buscando aumento de poder de ambos.

Evidente que crises como a da Covid-19, amplificam a questão das desigualdades, e é preciso endereçá-las com sabedoria e prudência.

Riqueza e renda não são estáticas, portanto, não será tirando dos ricos, que empregam e geram riquezas, que o problema será resolvido.

Como afirma a economista Deirdre McCloskey, evidente que o que importa é a eliminação da pobreza, não das desigualdades. Elimine a pobreza e deixe a distribuição da riqueza funcionar.
Claro que programas inteligentes de distribuição de renda, tal qual o Bolsa Família, são importantes e necessários, e em períodos de crise é preciso readequá-los.

Contudo, como demostra a história econômica, a pretendida igualdade não passa de uma quimera, pelo menos em uma economia especializada e dinâmica.

doutor em administração

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