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Fala de Bolsonaro na conferência do clima “não foi só retórica”

“O discurso do presidente Bolsonaro na conferência do clima não foi mera retórica. Ela se insere em uma mudança na política diplomática brasileira”, afirmou o cientista político Paulo Moura, comentando a repercussão da fala do chefe de Estado brasileiro entre seus pares no evento promovido pelos Estados Unidos. De acordo com ele, essa alteração na política diplomática brasileira ocorreu com a mudança do chanceler, a saída do embaixador Ernesto Araújo do Itamaraty.

“Isso modifica a política externa brasileira, da posição conservadora e antiglobalista representada pelo ministro Ernesto Araújo por uma posição mais pragmática, na linha tradicional da política diplomática brasileira inaugurada pelo Barão do Rio Branco. Essa é uma política de sentar e negociar com quem atender o interesse nacional”, explica.

O cientista político destaca que o Brasil, por ser um player estratégico no mercado internacional, atrai o interesse de todo o mundo em fazer alianças e negócios – especialmente o setor do agro: “O Brasil tem o agronegócio mais competitivo do mundo, é um dos grandes fornecedores de alimento do mundo, temos a Amazônia que é um celeiro de biodiversidade que ninguém tem e o mundo está de olho nisso”.

“O Brasil tem, portando, ativos para negociar e vai jogar com a China, com a Europa e com os Estados Unidos. Valendo-se nas suas posições nesse jogo, vai tentar tirar a maior vantagem possível do fato de que ele tem alternativas e não precisa se alinhar exclusivamente com um desses grandes jogadores do mercado internacional”, ressalta o especialista.

Ele destaca que essa é a grande mudança que está se processando, e a questão ambiental é uma questão da pauta geopolítica internacional: “O governo brasileiro, que tinha uma posição de contestação desta agenda ambiental, passou a ser alguém que vai se adaptar e pretende cumprir as metas de redução de CO2 (Dióxido de carbono) e reduzir o desmatamento”.

Moura lembra que o ministro Ricardo Salles já pediu para dobrar os recursos do Orçamento para os órgãos de fiscalização ambiental, renovando a frota de veículos do Ibama. “O Brasil precisa mostrar serviço nessa área, está correndo atrás do prejuízo, comprou uma briga enorme com o lobby ambientalista na mídia, que é um dos lobbys mais poderosos do mundo”.

De acordo com ele, essa é uma “boa notícia para o agronegócio, porque a imagem do Brasil no exterior, na questão ambiental, afeta o setor na medida em que o consumidor do mundo inteiro, principalmente o consumidor europeu, tende a não comprar produtos de países que não respeitam o meio ambiente. No momento em que o Brasil passa a assumir, perante o mundo, a cara de um país que está comprometido com redução de CO2 e redução do desmatamento, isso é uma notícia positiva”.

“O agronegócio brasileiro a muito tempo já percebeu que é interessante para a produtividade do agro trabalhar em harmonia com o meio ambiente, preservar mata natural dentro da propriedade para controle de pragas, manter a mata ciliar nas margens dos rios para evitar erosão e falta de água. Então o agronegócio brasileiro, principalmente nas regiões Sul, Centro, Sudeste e Centro-Oeste é um agronegócio pujante, competitivo e que opera em harmonia com o meio ambiente, mas o mundo não sabe disso, imaginam que o agronegócio aqui destrói a Amazônia e uma posição clara do governo brasileiro nessa nova linha é positiva para o Brasil perante o mundo e para o agronegócio”, conclui.

(Equipe do site)

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