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Faça a sua parte – por Fernanda Bered

Nós aqui em casa estamos em quarentena.

Não é uma quarentena imposta, mas voluntária. Meu trabalho pode ser feito no sistema “home office”, meu filho mais novo assiste aulas pela internet enquanto que meu filho mais velho e meu marido saem para o trabalho, seguindo todas as recomendações. Saímos apenas para o essencial, o que inclui compras no supermercado e farmácia e eventualmente exercícios em lugares mais desertos. Usamos máscaras e não recebemos pessoas em casa, não vejo os meus pais há dois meses.

Já penso em quais serão as heranças da quarentena.

Comprei pela internet equipamentos que me permitem filmar minhas aulas, estou aprendendo. Penso que será positivo para mim no futuro. Infelizmente, para muitos, esse saldo não será positivo e deixará muitas sequelas.

Sem dúvida é um momento muito difícil, e ele será muito mais duro para uns do que para outros. Seja pela condição socioeconômica, seja pelo desequilíbrio emocional que a situação impõe ou pela impossibilidade de trabalhar e ganhar seu sustento. O que não é aceitável é a instalação de uma crise política em um momento tão delicado no qual todos deviam estar concentrados e unidos para ajudar a combater este inimigo invisível.

Para mim é óbvio que a hashtag “Fique em casa” se aplica àqueles que podem ficar. E que, por enquanto, não significa que estamos impedidos de sair na rua. Mas falta bom senso, e muito! Se precisar, saia para trabalhar, mas volte imediatamente para casa, não é hora de reuniões na praça para tomar chimarrão. Estamos todos com saudades da nossa vida pré-vírus, mas não é o momento de encontrar os amigos, nem mesmo todo o resto da família. Usar máscara é sim um ato de amor e não um ato político-partidário, tenha a santa paciência!

Se puder, ajude consumindo dos pequenos comerciantes da sua região que certamente lutam para não ver seu negócio morrer.

Já tivemos avanços no conhecimento de como se comporta o inimigo, mas apesar de todos os esforços ainda não temos remédio e nem vacina que possam garantir a saúde de todos. Portanto a única coisa a fazer é A SUA PARTE. Colabore como puder, como for viável para você. Mas COLABORE.

No final de semana saí nas ruas de Porto Alegre e minha sensação foi um pouco diferente das últimas vezes. Não senti o mesmo espanto e medo do início. Senti que muitas pessoas estavam adaptadas ao novo normal. Avistei um senhor dando uma voltinha com seu animal de estimação, ele me olhou. Um olhar cúmplice, estávamos juntos nessa. Sorri por detrás da máscara. E foi bom descobrir que, apesar de tudo, ainda podemos sorrir com os olhos.

(Fernanda Bered é PhD, professora de genética e biologia molecular da Ufrgs)

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