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EX- SECRETÁRIA DO GOVERNO LULA CRITICA MINHA CASA, MINHA VIDA

A ex-secretária do governo Lula, Ermínia Maricato, criticou alguns resultados do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida (MCMV). De acordo com ela, a medida piorou as cidades, agravou as dificuldades de acesso à moradia nas localidades empobrecidas e acabou criando bairros vulneráveis à violência. 

Ermínia é urbanista e professora aposentada da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Ela, que foi secretária executiva do Ministério das Cidades antes da criação do MCMV, estuda o programa desde sua implantação e afirma que o maior problema foi terem dado liberdade para as empreiteiras fazerem escolhas importantes. “Tivemos um movimento imenso de obras, mas quem o comandou e definiu onde se localizariam não foi o governo federal, e sim interesses de proprietários imobiliários, incorporadores e empreiteiras”, comenta. 

Segundo ela, o programa veio como uma solução para a crise econômica global que começou a afetar o País em 2008. Na época o governo Lula decidiu investir e estimular a construção civil para tentar contornar os efeitos da recessão, mas o problema foi que o MCMV acabou se tornando um chamarisco para as empreiteiras. “Enquanto não tínhamos recursos e estávamos sob ajuste fiscal, com dívida pesada, tivemos controle sobre os gastos. Quando apareceram os recursos, os capitais tomaram conta. O Minha Casa, Minha Vida veio como uma luva: as empreiteiras e os incorporadores imobiliários privados se reuniram em torno dele”, diz Ermínia. 

O alegado objetivo do Planalto naquele ano era reduzir o déficit populacional que chegou a ser estipulado em 5,7 milhões de domicílios pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A ex-secretária, no entanto, partilha da ideia de que nem sempre construir moradias pode ser a solução do problema. “Entendo que tanto os movimentos (de luta por moradias) quanto os empresários gostem de trabalhar com o conceito de déficit, mas moradia é uma mercadoria especial, não dá para pensá-la como fábrica de automóvel”, finaliza. 

(Equipe do site)

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