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Evolução ou retrocesso no transporte público? – por Lino Zinn

Nesta última segunda feira, em meio ao recesso parlamentar da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, o Prefeito Nelson Marchezan protocolou um pacote de medidas para mobilidade urbana para ser votado em regime de urgência. Sem antes dialogar com os vereadores, sem um debate prévio, ele propõe uma “revolução” no sistema atual para ser apreciado e votado em 2 dias.

As medidas revolucionárias mais polêmicas são: taxar em R$ 0,28 por quilômetro rodado os serviços de aplicativos como o Uber, um pedágio de R$ 4,70 para veículos emplacados fora de Porto Alegre e criar uma taxa em torno de R$ 115,00 reais para cada emprego regido pela CLT de empresas da capital, concedendo para todos estes trabalhadores um passe livre de ônibus.

As medidas visam combater a queda de usuários do transporte público que, em boa parte, migraram para os aplicativos.

Claro que é muito importante debatermos sobre o transporte público, repensar o que vem acontecendo com o mesmo e, então, nos questionarmos qual seria a melhor a opção: subsidiar o modelo falido ou entendermos o porquê de ele estar falido e pensarmos em um novo modelo?

Será que pegar R$ 0,28 por quilômetro rodado de quem conseguiu locar um carro e está dirigindo 12 horas por dia para sustentar sua família e destinar este dinheiro para garantirmos o lucro das empresas de transporte é a solução?

Será que taxar quem mora na grande Porto Alegre, desestimulando estas pessoas a fazerem compras na capital é a solução? Isto não levaria a uma queda nas vendas, prejudicando o comércio e gerando mais desemprego?

Quem teve acesso ao balanço dos últimos anos das empresas de transporte?

Existe DRE por linha para sabermos quais as linhas são deficitárias e pensarmos em soluções? Que tal permitirmos que empreendedores individuais administrem linhas deficitárias? Assim começaríamos a estimular uma concorrência saudável.

Não podemos obrigar as empresas a operar uma linha deficitária, assim como não podemos fazer o João, motorista de aplicativos, pagar a conta do déficit desta mesma linha.

A planilha do cálculo da tarifa é um caso a parte, praticamente uma caixa preta.

Por favor, o mínimo necessário para começar o debate seria começar pela planilha do cálculo da tarifa.

Não podemos permitir que, antes de calcular, antes de ver os balanços, antes de pensar um novo modelo o cidadão seja taxado, tarifado, enfim, que a solução seja tirar mais dinheiro do cidadão.

Não é pelos 28 centavos, mas sim pelo amplo debate, pela racionalização das linhas, pelo aumento de corredores, por uma maior concorrência e por um novo modelo de trasporte público que respeite a liberdade de escolha do cidadão.

(Lino Zinn é publicitário e empresário)

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