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Eua, Irã e a queda do Muro de Berlim das redações – por Douglas Sandri

A crise no Oriente Médio entre Estados Unidos da América e o Irã expôs mais uma vez a esquerda mundial, principalmente a americana. A “extrema imprensa”, como são os veículos e profissionais que tentam esconder suas preferências ideológicas, mas agem com uma agenda de esquerda, foi também trazida à tona quando resolveu torcer contra o próprio país.

Quem acompanha um pouco a mídia americana viu com que viés e tendência foi tratada a questão.

Na época que o presidente era o Obama, as revoltas contra as ditaduras muçulmanas ganharam até apelido — primavera Árabe — e foram celebradas tanto pela população em geral, como pela esquerda e pela imprensa. No Oriente Médio, a ditadura iraniana passou a ser contestada pela sua própria população, muitos americanos se colocaram do lado dos manifestantes, menos parte da sua imprensa e os socialistas que vêm no Irã um aliado contra Trump. Desta vez, a mídia desconfiou do seu presidente e quase torceu para que tudo acabasse mal. Chamaram o general Soleimani, abatido pelas forças americanas, de líder inspirador do povo iraniano. Esqueceram completamente que, em uma ditadura, é muito difícil saber se a popularidade de um membro do governo é verdadeira ou é só a narrativa oficial, já que qualquer pesquisa que medisse isso seria proibida ou manipulada. Ignoraram completamente que este era o general encarregado de espalhar o terror no oriente médio e que tinha por gana e missão destruir Israel, a única democracia da região. Ouvidos, muitos especialistas disseram que a ação havia sido um erro e que os conselheiros da Casa Branca sobre a questão não teriam experiência. Ledo engano.

Com a escalada iraniana dos ataques que abateram um drone americano, o bombardeio a uma unidade de produção de petróleo saudita e as ameaças contra as embaixadas americanas, o presidente — que vinha retirando tropas do oriente — não tinha outra opção senão agir. O fez com maestria e acabou com um dos mais poderosos terroristas do Irã, sem qualquer vítima civil ou mobilização de tropa terrestre. A população americana gostou, a extrema imprensa e a esquerda não.

O presidente americano logrou êxito na ação, o que ficou claro com a incapacidade — ou falta de coragem do inimigo — de revidar com qualquer ataque à altura, no máximo atingindo instalações desocupadas, o que foi narrado pelos especialistas da imprensa como demonstração da precisão dos iranianos. No entanto, instantes após a atabalhoada retaliação, o Irã abateu um avião civil ucraniano que nada tinha a ver com o conflito, assassinando 176 pessoas de diferentes nacionalidades, na incompetência de determinar que não se tratava de um alvo militar. Nada poderia demonstrar mais a fragilidade do governo e a população voltou com força às ruas contra os aiatolás que comandam o país desde a Revolução Islâmica que tirou do poder a monarquia durante a Guerra Fria. Enquanto isso, segura e a milhares de quilômetros de qualquer conflito, a esquerda tratou de correr para aprovar na Câmara dos Deputados dos EUA a proibição de ataques ao Irã. Uma grande covardia que, se levada à cabo, colocaria em risco as operações militares americanas e milhões de vidas civis.

Depois de terem avançado nas últimas décadas, no mundo inteiro os socialistas vêm perdendo espaço. Tiveram um grande recuo na América Latina após tomarem quase todas as democracias e caminhavam para tornarem-se hegemônicos; perderam a eleição presidencial americana; perderam o Brexit — e as eleições para o parlamento do Reino Unido — e estão perdendo em quase toda a Europa, o que inclui o parlamento europeu.

As derrotas nas urnas demonstram o distanciamento que pensamento socialista e sua agenda vêm tendo da população em geral. Desatentos às redes sociais pela arrogância de pensar que a formação de opinião de massa passaria para sempre pelos crivos das redações, o movimento político de contestação à esquerda começou imperceptível pela grande mídia que se pegou surpresa com o resultado de eventos históricos, como a eleição de Trump, Bolsonaro, o Brexit e Boris Johnson.

Tudo isso me leva a crer que a esquerda está cada vez mais distante do poder e a parcela da mídia que trabalha com uma agenda ideológica debaixo do braço será cada vez mais questionada e tenderá cada vez mais a sucumbir. Veículos inteiros podem ser levados às traças se não se atentarem à prática do bom jornalismo, deixando de lado a ideologia. Da mesma maneira que vêm ruindo partidos tradicionais de esquerda em todos os cantos. A internet e as redes sociais vêm derrubando um muro de Berlim que ainda não havia caído desde a guerra fria: o que separava as redações da população em geral. É hora de cair na real.

(Douglas Sandri é engenheiro eletricista graduado na Universidade Federal do RS e assessor parlamentar na Câmara dos Deputados)

Engenheiro eletricista graduado na Universidade Federal do RS e assessor parlamentar na Câmara dos Deputados

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