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Eternamente o país do futuro – por Alex Pipkin

Golda Meir foi uma fundadora e Primeira-ministra do Estado de Israel.

Compreendo bem porque ela afirmava que “o pessimismo é um luxo que o judeu nunca pode se permitir”.

Sou judeu, e também considero-me um ser pensante e racional. E pela lógica da realidade, não estou só pessimista quanto ao momento nacional presente e futuro próximo.

Como sou brasileiro, e vivo por essas bandas faz mais de meio século, acho que esse país será eternamente o país do futuro.

As razões são transparentes para qualquer cidadão que queira enxergar.

Nasci em 1965, durante o período militar, que foi de 1964 a 1985. Penso que é preciso analisar cada período de acordo com as circunstâncias daquele momento.

Seria ingenuidade e/ou burrice acreditar que os militares em termos de questões estratégicas e de defesa não seriam extremamente nacionalistas. Eles são treinados para isso. Sou oficial R2.

O período militar foi de intensa intervenção estatal e foco na industrialização, com investimentos nas indústrias de base e na área de infraestrutura, sendo esses investimentos bancados pelo Estado às custas de forte endividamento externo. Neste período, houve crescimento do número de empresas estatais.

Não quero adentrar aqui aos pormenores, mas o PIB brasileiro cresceu entre 1968 e 1973 11,3%, muito favorecido pelas condições externas.

Foi um período de arrocho salarial e, inegavelmente, de repressão e de redução das liberdades individuais. Claro que isso variou de acordo com o período.

Veio a “democratização” e o que se viu, governo após governo, foram basicamente as mesmas coisas – ruins.

Políticos e elites rentistas, extraindo renda da sociedade brasileira, políticas nacional-desenvolvimentistas totalmente equivocadas, especialmente nos governos petistas, corrupção escancarada, intervencionismo estatal na economia, baixo nível de internacionalização do país – o que praticamente não se ouve falar neste governo (assustador), falta de privatizações, e a manutenção de um Estado gigante, com salários e benefícios desproporcionais – e imorais – em relação à população brasileira.

Os culpados pelo desolador desempenho brasileiro somos nós mesmos. Tá certo que somos obrigados a votar no menos pior… Mas não são os americanos opressores…

A educação é ruim – e com as elites educacionais “progressistas” não iremos avançar -, o sistema político e eleitoral são péssimos, à injustiça reina, em especial, porque alguns ministros indicados a toga, atuam como políticos, adotando o mesmo compadrio que outras autoridades estatais, enfim, a coisa vai bem longe.

Bolsonaro foi eleito, basicamente, em função da necessidade de se afastar a abissal corrupção e as débeis políticas nacional-desenvolvimentistas.

Tem ficado no lamaçal da discussão ideológica com sinal trocado, e independente do que seus seguidores pensam, não lutou – como deveria – e implementou as reformas estruturais e liberalizantes, trivialmente porque ele não tem convicção e não acredita em tais políticas; simples assim.

Discorda? Quantas empresas estatais foram privatizadas neste governo?!

O nosso problema real não é “direita versus esquerda”, embora seja inegável que a pressão do “sistema” pelas políticas de grupos identitários, se implementadas como o desejado, além de fazer explodir uma bomba-relógio, irão nos conduzir para o abismo coletivista.

O problema não é o “malvado capitalismo”, é exatamente a falta de uma economia de mercado.

Meu pessimismo se justifica pelo trivial diagnóstico de que não teremos um país com a redução do envolvimento do Estado na economia, com a remoção da burocracia e das restrições que emperram o ambiente de negócios, com o corte de impostos – ao contrário, veremos muitos aumentos -, com o governo deixando de se meter e competir com o setor privado, com a redução deste Estado mastodôntico e farisaíco, com uma justiça justa que factualmente traga segurança jurídica e, talvez o mais importante, com uma abertura econômica ao mundo que possibilite que as empresas nacionais possam ser genuinamente competitivas, enquanto os consumidores brasileiros “mais ricos”.

Se alguma vez pensaram em competição nesse país, certamente constataram que não a temos; praticamente todos os setores estratégicos são monopólios e/ou oligopólios (poucos fornecedores).
Precisamos urgente de concorrência de verdade!

E como os comuns se beneficiariam desse ambiente concorrencial, liberal? Com um ambiente de negócios pujante, a tendência seria de geração de mais empregos, e com a competição, a imperiosa necessidade de aumento de produtividade, que teria que fluir para aumentos salariais.

Tudo isso é muito difícil de acontecer num país de instituições extrativistas, com incentivos inadequados, com elites de baixa qualidade, que sugam e que concentram renda a partir da riqueza criada pelos indivíduos e pelas empresas.

Neste nosso arquipélago das bananas, a ilha privê sempre teve seus sócios honorários, independentemente da cor…

Triste, mas não prevejo ventos liberais por aqui, muito menos, políticas concretas num futuro próximo.

Apesar da sabedoria de Golda Meir, infelizmente, tendo a discordar.

A propósito, os aeroportos ainda estão fechados?

doutor em administração

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