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É URGENTE! Brasil precisa adotar medidas mais drásticas sobre o coronavírus – por Sérgio Quadros

No final do ano de 2019, um médico oftalmologista, Dr. Li Wenliang, que trabalhava no Hospital Central de Wuhan, alertou seus colegas, através de uma rede social (WeChat) sobre um possível surto de uma doença que tinha os sintomas semelhantes aos da SARS. As autoridades locais o acusaram de fazer comentários falsos na rede, obrigando-o a se retratar para não ser punido severamente.

E o pior, continuaram negligenciado os alertas emitidos por outros médicos, procrastinando decisões que poderiam ter salvo centenas de vidas na China, até do próprio médico que faleceu pelo contágio do vírus.

Os hospitais ficaram lotados e rapidamente o vírus, depois nominado como COVID-19, se espalhou rapidamente pela população.

Para resolver a situação, o governo adotou uma medida radical para lidar com a situação: trancar as pessoas dentro das suas casas até que houvesse uma redução drástica no número de casos infectados.

Hoje há uma tendência a se dizer no Brasil que na China o pior já passou. Na verdade, o que está ocorrendo é a diminuição de casos, em razão do “lockdown”. Tanto que o país está registrando agora, mais casos de contaminação importados do exterior, enquanto volta lentamente ao trabalho nas cidades onde há registro de poucos casos.

A Itália e Espanha seguiram o mesmo caminho.

Por que o número de mortes cresceu assustadoramente nos últimos dias?

Franca, Inglaterra, Irã e outros países mostram que seguirão na mesma direção.

Há exceções como na Coréia do Sul, mas lá quase toda a população foi testada, numa média de aproximadamente 10.000 testes por dia, o que permitiu enfrentar as fontes de infecção muito cedo.

A melhor alternativa para o Brasil agora é colocar boa parte da população em “lockdown”, permitindo o funcionamento somente das atividades essenciais.

É preciso proteger grande parte da população que pode ser mais atingida.

Esta pode até ser considerada uma medida não democrática aos olhos do ocidente, mas absolutamente necessária.

Por falta de atitude e decisão, nesse momento, vamos acabar sofrendo ali na frente. Não é pela letalidade do vírus, mas se não fizer isso, a quantidade de pessoas que ficarão infectadas e sem atendimento e, principalmente, pela falta de estrutura hospitalar, será muito grande. A rapidez do contágio do vírus é surpreendente.

Infelizmente algumas pessoas irão morrer.

Não há capacidade e estrutura no Brasil para atender um pico de surto de uma doença altamente contagiosa.

Hoje as emergências já estão lotadas em razão de outras doenças. É preciso urgentemente reduzir esse risco, colocando a vida das pessoas acima da economia.

De forma que os casos que surgirem possam ser atendidos adequadamente nos hospitais.

Seguir os exemplos da China e da Itália o mais rápido possível é imprescindível.

Até mesmo para, quem sabe, salvar a própria economia de um risco de crescimento da inflação e de aumento dos juros no futuro.

(Sérgio Quadros foi gerente do Banco do Brasil na China. É graduado em Ciências Contábeis e mestrando em Gestão de Negócios)

Sérgio Quadros

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