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É proibido criticar o filme Marighella? – por Fernanda Barth

O IMDb (Internet Movie Database) – base de dados online sobre música, produção audiovisual e jogos de computador, pertencente à Amazon – apagou as críticas ao filme Marighella do seu site internacional, após a nota do filme despencar em apenas três dias.

Segunda-feira, dia 18, às 08h, Marighella contava com uma nota média de 2.9 de 10, com cerca de 2.223 reviews de usuários.

A justificativa para este verdadeiro ato de censura às críticas ao filme é de que elas teriam teor político e ideológico e que não teria dado tempo para que tantas pessoas tivessem assistido ao filme para poder opinar.

O filme, dirigido por Wagner Moura, tem sido adjetivado pela imprensa esquerdista como uma “peça de resistência de ontem e hoje” (Carta Maior) e teve quatro sessões de apresentação no Festival de Berlim desde sua estreia em 14 de fevereiro.

A imprensa esquerdista se apressou em dizer que as críticas foram retiradas pois não eram espontâneas. Teriam sido “bots” que derrubaram a nota do filme, inclusive abaixo de filmes como Super Xuxa contra o baixo astral. Já no site da revista Veja a queda da nota é descrita como uma “ação coordenada anti-Marighella”, organizada pelos apoiadores do presidente Bolsonaro (sic!). A esquerda simplesmente não consegue entender a rejeição espontânea à temática do filme.

Se não aceita críticas políticas ao filme não deveria fazer filmes com viés político, deveria fazer comédia romântica.

O próprio lançamento do filme no Festival de Berlim foi um ato político, com citações ao presidente Bolsonaro e com a exibição de uma placa em homenagem à Marielle Franco. Nada mais natural que receba críticas políticas. A censura torpe que apagou as críticas ao filme no IMDb, em uma clara medida contra a liberdade de expressão, vai acabar respingando na imagem da Amazon, proprietária do site.


Para piorar, o filme é uma ficção política que tenta reescrever a história colocando um terrorista (Marighella) como militante de uma “causa nobre” – o comunismo – tentando trazer romantismo e heroísmo para seus atos criminosos.

A “liberdade artística” de Moura é usada na construção de uma narrativa mentirosa e na doutrinação política mais descarada. Ao retratar Marighella como um negro (ele era um mulato claro) e depois o colocar nas mãos de um torturador racista, ele apela e busca acirrar os ânimos raciais no Brasil. Tenta a todo momento transformar o terrorista em herói, como se ele tivesse sido perseguido pela cor de sua pele e não pelos atos cometidos.

Definitavamente é ridícula a tentativa de beatificar Marighella, tentando transformá-lo em exemplo para as futuras gerações. Carlos Marighella militou toda a vida no PCB (Partido Comunista Brasileiro) e tinha como real objetivo implantar a ditadura do proletariado no país, a qualquer custo. Em 1968 fundou o grupo armado Ação Libertadora Nacional (mais conhecido como ALN) para lutar contra o regime militar e acabou por sequestrar o embaixador norte-americano Charles Elbrick, em uma ação conjunta com o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8), em 1969.

(Fernanda Barth é cientista política e jornalista)

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