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Cresce a percepção negativa em relação à China – por Cezar Roedel

A reputação que as nações projetam na arena internacional depende de muitas variáveis como: a condução de crises nacionais e internacionais, a capacidade de liderança e influência mundial ou até mesmo a forma com que criam e difundem a sua imagem. Todavia, ela é muito mais resultado direto da percepção das pessoas do que o próprio esforço em criar uma reputação. Chamou atenção a recente pesquisa divulgada por uma das maiores instituições internacionais, especializada na mensuração de questões e tendências globais, o Pew Research Center. Ela levanta a percepção de 14 das economias mais desenvolvidas do mundo sobre a China, trazendo quatro conclusões instigantes: 1) cresce significativamente a visão negativa em relação à China; 2) a maioria percebe o precário desempenho da China em relação ao Covid-19; 3) a Europa enxerga a China como a principal liderança econômica mundial; e 4) a confiança da comunidade internacional em Xi Jinping cai drasticamente.

Reputação internacional da China

Dos 14 países analisados, se comparado com as pesquisas realizadas na última década, pelo Pew, no ano de 2020 a percepção negativa em relação à China atingiu o pico. A Austrália atingiu 81%, sendo a economia desenvolvida com maior índice de percepção não favorável. O crescimento foi rápido, uma vez que em 2019 restava em 24%. Reino Unido ficou em 74% e os EUA, 73%.

China e o Covid-19

A forma com que a China lidou com o Covid-19 também foi motivo de uma percepção altamente negativa. Dos 14 países, 61% ponderam que a China administrou de forma precária a emergência do coronavírus. Lembremos que a eclosão do vírus foi marcada por uma série de polêmicas e inclusive, pelo hipotético retardamento das informações pelo governo chinês que, de certa forma, foi responsável pela escalada diária do vírus, mundialmente.

Liderança econômica mundial?

48% dos países envolvidos na pesquisa, em que pese a percepção negativa em relação à China, já a consideram como a principal liderança econômica mundial. Instigante é a posição de países como o Japão e a Coréia do Sul. Para eles, os EUA permanecem como a principal locomotiva. A concentração da percepção negativa em relação à China concentra-se em pessoas a partir dos 50 anos. Outro dado que chama a atenção é que, quanto maior a escolaridade, mais negativa é a percepção.

Presença chinesa no mundo

78% desaprova a maneira com que o líder chinês Xi Jinping conduz as relações externas do país. Nos EUA o coro é o maior, quase não há qualquer confiança no líder chinês. No Canadá, a população parece estar dividida, metade mantem alto nível de desconfiança. No Japão, apenas 0,5% ainda possuem alguma confiança no líder chinês. Oportuno lembrar que a China invadiu o mar territorial japonês, no caso das ilhas Senkaku. Situação que os japoneses, com razão, parecem não perdoar. O apetite chinês no espaço geopolítico asiático é questionado pelas principais lideranças regionais. Nessa seara toda, entende-se a razão de muitos países em tentar bloquear o avanço chinês no domínio do 5G.

(Cezar Roedel é Consultor de Relações Internacionais)

Consultor de Relações Internacionais

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