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Covid-19: segunda onda foi mais agressiva no Brasil

Na última semana, um projeto da Unisinos em parceria com hospitais gaúchos levou à publicação de um artigo na revista britânica The Lancet. O texto afirma, a partir da análise dos dados oficiais do governo federal do Brasil, que a segunda onda da pandemia de Covid-19 causou mais internações, entubações e óbitos que a primeira. Esse período, no estudo, compreende de 6 de novembro de 2020 a 30 de abril de 2021. A afirmação vai na contramão de estudos publicados internacionalmente, que atestam que a segunda onda da doença teria sido menos agressiva dada a preparação prévia dos países no primeiro semestre do ano passado.

O estudo é intitulado “First and second COVID-19 waves in Brazil: a cross-sectional study of patients’ characteristics related to hospitalization and in-hospital mortality”. A The Lancet é uma das mais tradicionais sobre Medicina – foi criada em 1823 e é hoje de propriedade do grupo Elsevier.

Liderado por Felipe André Zeiser, aluno de mestrado em Computação Aplicada, o grupo que realizou o estudo teve caráter transdisciplinar. Houve a participação central das Escolas Politécnica e de Saúde da Unisinos. Além disso, para a citada pesquisa, há a colaboração do Grupo Hospitalar Conceição, do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da Universidade.

A análise dos dados trouxe resultados que a equipe não previa. As Regiões Norte e Nordeste do Brasil, por exemplo, tiveram mais óbitos que as demais na segunda onda. Entretanto, esses Estados da federação pareciam ter mais contingências preparadas em decorrência da primeira onda pandêmica da Covid-19 no país. “Apesar de ter havido um aumento na disponibilidade de leitos e UTIs nestas regiões, não obteve-se uma menor letalidade em relação a região Sul”, explica Zeiser.

Para Bruna Donida, gerente de Ensino e Pesquisa do Grupo Hospitalar Conceição e coautora do artigo, parcerias consolidadas e de excelência como a que a instituição tem com a Unisinos são vitais para atingir resultados como os do estudo. Os dados, segundo ela, poderão auxiliar os gestores de saúde no país para que tomem decisões melhores. “As publicações, como esta na The Lancet, mostram-nos que estamos no caminho certo e são fruto do árduo trabalho que realizamos há muito tempo”, afirma Bruna.

Projetos e Metodologias

O coautor e professor do PPG em Computação Aplicada (Escola Politécnica), Cristiano André da Costa, afirma que o trabalho computacional para análise dos dados nacionais não é a parte mais importante do trabalho. Antes mesmo disso, há uma revisão de todas as informações. Foram 678.235 pacientes admitidos no país e positivados para Covid-19 no período, que vai de 25 de fevereiro de 2020, quando há o primeiro caso da doença no Brasil, até o dia 30 de abril de 2021. “Há eventuais erros de digitação. Existem também os outliers, que são os dados que estão fora de uma métrica aceitável. Tinha um paciente, por exemplo, que teria 150 anos de acordo com a base”, explica Costa.

Cristiano André da Costa lembra que a publicação do artigo na The Lancet é também um sucesso dentro de um projeto maior. O Minha Saúde Digital tem financiamento da Capes, CNPq, Fapers e Oracle, coordenação geral de Costa e o escopo de atuar em relação à Covid-19. Além do Hospital de Clínicas e do Grupo Conceição, atuantes no estudo citado, integram a iniciativa a Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, a Unimed Central de Serviços, Hospital Ernesto Dornelles, Hospital Moinhos de Vento, o Hospital Universitário de Santa Maria e o iCollab, um instituto colaborativo de blockchain.

(por Marcelo Grisa – fonte: ZENTOCOM)

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