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Agora a responsabilidade é nossa! – por José Antonio Rosa

A crise que se abateu sobre o Brasil, principalmente nos governos petistas de Dilma Rousseff, culminando com seu impeachment, suscitou em muitos o desejo de intervenção militar aos moldes do que ocorreu em 1964. Embora os tempos sejam outros e tenhamos mais meios para enfrentar as adversidades políticas, parece que a mentalidade ainda é a mesma e para amadurecermos politicamente é necessário superá-la.

É preciso reconhecer, e a história assim nos impõe, que o longo tempo de regime militar, associado a uma certa alienação política daqueles que saíram às ruas na Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que ocorreu no Brasil entre os meses de março e junho de 1964, favoreceu que a esquerda chegasse ao poder na redemocratização também conhecida como Nova República.

Neste período, enquanto os militares governavam e todos estavam assistindo Flávio Cavalcanti, Sílvio Santos, Chacrinha, futebol, carnaval e as novelas da Globo, a esquerda brasileira ocupava espaços na imprensa, escolas, universidades, sindicatos, igrejas, organizações da sociedade civil, as artes, a cultura, a linha editorial. A chegada do PT ao poder, através da eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, foi apenas a cereja do bolo.

Com os atuais eventos nefastos que giram em torno da soltura de Lula, muitos estão querendo reprisar aqueles tempos sem fazer uma reflexão histórica e observar os últimos acontecimentos políticos, nos quais milhões de pessoas saíram às ruas e conseguiram retirar do governo uma presidente cujo partido tem no seu DNA ideológico encastelar-se no poder para não mais sair.

A lição que já deveríamos ter aprendido é que uma sociedade afrontada nos seus valores é capaz de assumir o protagonismo da sua história. Precisamos nos livrar desta praga latino-americana de que necessitamos de um populista de ocasião, um ditador de plantão, um caçador de marajá, um filho do Brasil ou uma mãe do PAC para nos salvar. A solidez institucional, política e democrática somente virá quando abandonarmos os personalismos e fortalecermos todas as instituições, das quais deveremos participar ativamente.

Onde devemos estar? Nas famílias, escolas, universidades, sindicatos, igrejas, meios de comunicação social, entidades da sociedade civil, ou seja, onde a vida acontece, porque agora a responsabilidade é nossa!

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