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A instituição que funciona – por Felipe Camozzato

Não é novidade para ninguém que o Brasil é um país diverso e cheio de
tradições. Cada estado e região tem seus pratos típicos, suas danças e,
alguns, possuem até mesmo as suas vestimentas típicas – tudo isso é o que
torna essa uma nação verdadeiramente grande. Entretanto, algumas tradições,
das quais não nos orgulhamos nem um pouco, permeiam a cultura nacional e,
de maneira muito dura, inibem o nosso desenvolvimento enquanto sociedade.
A principal delas é a instabilidade institucional ou, como preferem
chamar os acadêmicos do direito, a insegurança jurídica. As decisões judiciais
nunca são definitivas, as leis e suas interpretações estão em permanente
mudança, os contratos são descumpridos com frequência e a única certeza
que resta ao cidadão brasileiro é a de que não há como ter certeza alguma
sobre o seu futuro.

Contudo, nos últimos anos, observamos o amadurecimento e o
fortalecimento de uma instituição que outrora se encontrava adormecida e
passiva à realidade na qual estava inserida. Essa instituição se chama povo
brasileiro que, em parcela significativa, tem se feito presente nas ruas e nas
redes sociais, impondo sua agenda e a sua voz.

O povo não mais assiste as mudanças políticas bestializado, atônito e
surpreso, como descreveu Aristides Lobo ao comentar a proclamação da
República pelo Marechal Deodoro da Fonseca em 1889. Pelo contrário, suas
investidas são insistentes, por vezes imprevisíveis, porém sua orientação é
objetiva e implacável: quer ordem, progresso, respeito e igualdade perante a
lei, além de maior rigor contra o crime e menor intervenção estatal na vida do
cidadão, na forma de menos impostos e burocracia.

Se o Congresso não o atende, lá está o povo brasileiro para pressioná-
lo. Se o Supremo Tribunal Federal o envergonha, prontamente essa instituição
responde de forma enérgica. Se a imprensa perverte uma notícia ou o famoso
relativiza uma perversão moral/legal, a rede social inunda-se de protestos. Com
chuva ou sem chuva, no verão ou no inverno, de norte a sul, o povo lá está.
Podemos nos orgulhar de viver em um momento histórico onde, pelo
esforço de indivíduos determinados, construímos um caldo de cultura que
permitiu decidíssemos qual caminho queremos seguir. Apesar de tudo isso, a
jornada ainda está longe de chegar ao fim e o caminho pelo qual a sociedade
brasileira deverá trilhar para conquistar seus objetivos ainda está recheado de
desafios.

Por isso, quando me perguntam o que será do futuro do Brasil e de sua
estabilidade, eu respondo: devemos olhar para nossa instituição que funciona,
para aprendermos com ela. O povo tem sido supremo, então que emane seu
poder e nos inspire a construir uma nova tradição de estabilidade nas demais
instituições.

Administrador de empresas, especialista em Finanças e pós-graduado em Liderança Competitiva Global na Georgetown University (EUA). Vereador em Porto Alegre (Partido Novo)

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