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A caminhada! – por Cesar Cidade Dias

Saí a caminhar. Deixei a Tristeza (bairro de Porto Alegre) para andar por todos os espaços que já fui. Subi o Morro da Conceição ainda a passos largos. Queria visitar o meu pai que está em uma clínica no bairro Ipanema. E pra lá eu fui.

O sol e o vento eram minhas únicas companhias.

Quando cheguei lá, depois de muitos minutos, o tempo já tinha chegado. Vi um pai sentado, sem conselhos ou mensagens.

Meu Natal com ele foi em silêncio. Reflexivo. Sem nenhuma palavra.

Deixei a clínica e segui caminhando. O sol e o vento seguiam comigo. Caminhar é exercer uma função básica. Andar com as próprias pernas talvez seja uma das primeiras mensagens que a vida tenta nos dar, mas que, por vezes, também esquecemos.

Meu destino não era mais a minha nova casa na Tristeza. Resolvi andar por aí. Queria apenas caminhar. E assim fiz.

A cada pequeno passo que eu dava, vi que chegava em um novo destino. Cheguei em um café depois de muito tempo. Pareceram horas. O espaço, desta vez, contrastava com aquele vivido na clinica do meu pai. Neste lugar, o silêncio foi trocado por uma música desencontrada, crianças correndo para todo o lado, espaços ocupados e um sentimento de pressa totalmente antagônico à minha primeira visita do dia.

Sentado, descansando, deixei de olhar a hora e passei apenas a lembrar dos passos que havia dado naquela caminhada.

Lembrei que saí motivado, pulei algumas pedras, desviei de contratempos, vi alguns cachorros e até por ratos eu cruzei. Me afastei de alguns buracos. Tive vontade de parar em alguns momentos, mas vi o destino e segui em frente. Corri por um pequeno tempo, parecia que queria fugir. Olhei algumas vezes para trás, mas não tive vontade de voltar. Sabia que tinha um objetivo e lutei, corretamente, por ele.

Não encontrei ninguém.

O sol e o vento, que também sentaram pra descansar, foram meus únicos companheiros nesta longa caminhada.

Entendi, quando parei, que aquele destino era um recomeço e estou aqui, escrevendo e pensando nos novos passos que vou montar. A vida ensina que caminhar é preciso e andar com as próprias pernas é um exercício de desejo.

Tenha vontades e saiba que exercê-las é a única coisa realmente sua nesta existência.

Vou levantar e dar novos passos. O sol parece estar cansando mas o vento me prometeu que quando o sol for dormir, a lua aparece para seguir caminhando conosco.

Tenha vontades e sempre siga em frente.

(texto feito no Dia de Natal)

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