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“1964”: O Documentário do Brasil Paralelo e as Novas Gerações – por Daniela Macedo

Assisti ao documentário “1964: o Brasil entre Armas e Livros”, do Brasil Paralelo, na pré-estreia do cinema, antes da polêmica sobre a censura ao documentário e da proibição de exibição que valeu à Rede Cinemark o “carinhoso” apelido de “CineMarx” nas redes sociais.

Todas as proibições de exibição em escolas e universidades não tiveram o mesmo alcance publicitário que o comunicado aparentemente isento da rede de cinemas, que, no passado recente, exibiu o filme “Lula, o Filho do Brasil” sem o mesmo pudor de não se ver envolvida com “mídia partidária” (por mais que o filme, produzido com dinheiro público, nem tentasse disfarçar seu caráter de propaganda político-partidária e culto à personalidade do ex-presidente, hoje condenado e preso por corrupção e lavagem de dinheiro).

Graças à polêmica que se seguiu à atitude do Cinemark, o documentário, até o momento em que este artigo é escrito, já ultrapassou 3 milhões de visualizações. E chegou às posições de números 2 e 3 nos vídeos “em alta” do YouTube.

Porém, alguns dos meus amigos que assistiram o documentário e que têm menos de 30 anos comentaram que o acharam “muito ideológico”. Não é o caso, me parece, da imensa maioria, pois os comentários em geral estão sendo muito favoráveis. Mas fiquei me perguntando qual seria o motivo dessa impressão sobre “1964 – o Brasil entre Armas e Livros”.

O documentário tem o cuidado, logo no início, de situar o espectador no panorama da Guerra Fria. A partir disso, deveria ficar mais fácil para quem assiste, mesmo que não tenha vivido o drama daquela época, compreender o ambiente vivido no mundo inteiro e no qual o Brasil estava imerso.

Deveria, mas não fica. Havia um clima de medo real, antes da queda do Muro de Berlim, medo de que alguma das duas grandes potências de então (em particular, a antiga União Soviética) desse início a um conflito nuclear que significaria o fim do mundo civilizado e a concretização da profecia de que a guerra seguinte a essa seria travada com paus e pedras. É praticamente impossível transmitir esse clima, por mais fidedigna que seja a narrativa, como acontece no documentário do Brasil Paralelo.

E se a pessoa viveu imersa nas narrativas que predominaram no Brasil nos últimos anos, depois de 4 governos lulo-petistas que ideologizaram o sistema de ensino e geraram muita desinformação sobre os fatos do mundo político e da economia, mais difícil se torna para ela compreender a esquerda como antagônica à democracia.

Sim, aos poucos está ocorrendo uma tomada de consciência. Mas falta ainda muita leitura, muita informação e uma visão de mundo mais clara para o brasileiro médio, quase indefeso diante do ataque ideológico de que foi e de certa forma continua sendo vítima.

Neste contexto, o trabalho de resgate da história do Brasil – antiga e recente – que o Brasil Paralelo vem fazendo é inestimável e certamente já trouxe muito mais resultados do que se pensava possível há pouquíssimo tempo.

Mas estes comentários sobre o documentário “1964…” – “é muito ideológico” – indica muito claramente que ainda há muitíssimo trabalho a ser feito. Por décadas.

(Daniela Macedo é empresária e bacharel em direito)

One Comment

  • José disse:

    Esses que comentam que o documentário é “muito ideológico”, certamente, são as pessoas que “democraticamente”, não permitem que o documentário seja exibido nas escolas e universidades.

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